quarta-feira, 23 de novembro de 2011 0 comentários

Vivendo Nossa História - A Série

Esta obra é um projeto pessoal do autor que foi publicado nos sites jaruenses Anoticiamais e Jaru 190 em duas etapas com o título Vivendo Nossa História. A primeira delas abordou a história das personalidades que deram origem às escolas estaduais de Jaru tendo a sua publicação em ordem alfabética no período de 25 de abril de 2011 a 10 de maio do mesmo ano totalizando doze reportagens. A segunda parte, obedecendo aos mesmos critérios, aconteceu de 30 de maio a 30 de junho de 2011 e narrou a história de vinte e quatro instituições da Rede Municipal de Ensino e dos três primeiros administradores de Jaru: Sandoval de Araújo Dantas, Sebastião Mesquita e Raimundo Nonato da Silva, último administrador e primeiro prefeito do município de Jaru.

O desafio para se obter as informações necessárias foi enorme, pois nem sempre as fontes eram confiáveis. Visando utilizar apenas dados oficiais, priorizei as informações fornecidas por familiares, uma vez que o objetivo era destacar os fatos mais importantes das pessoas que foram homenageadas com o nome de uma escola. Sabe-se que as ações feitas em vida por tais personalidades tiveram certa importância, mas, em muitos anos, nem a própria escola ou os alunos sabiam algo a mais da biografia do cidadão ou cidadã que recebeu a homenagem. Foram meses de pesquisas, coleta de dados, checagem de informações, elaboração de reportagens, para, finalmente, chegar ao material propriamente dito.

A ideia de se fazer um material que contasse a história das escolas de públicas de Jaru foi discutida com pessoas próximas. Algumas incentivaram. Outras acharam que seria quase impossível reunir as informações necessárias para uma reportagem completa sobre o assunto, pois era preciso sair do óbvio, ou seja, o que muita gente já tinha conhecimento. Dificuldades existentes em todas as coisas que precisam ser realizadas, mas, diante de algo considerado tão importante era preciso ir adiante e elaborar as principais perguntas da pauta. 

Depois de trinta e nove reportagens contando a biografia de pessoas que foram importantes para o município, estado ou país, decidi encerrar a série compartilhando a minha história. A autobiografia revelou as coisas mais importantes que aconteceram comigo em pouco mais de 32 anos, vividos com momentos de alegria, tristeza, dúvida... Mas acima de tudo com fé e perseverança.

Quero agradecer primeiramente a Deus e às pessoas que contribuíram de forma direta ou indireta na elaboração da Série “Vivendo Nossa História” que foi um sucesso durante a sua publicação em dois sites de Jaru. As reportagens repercutiram em emissoras de rádio locais e receberam inúmeros elogios de internautas e ouvintes. Compartilho essa felicidade com você caro leitor e que os assuntos aqui abordados sirvam de incentivos para a prática de exemplos construtivos em todos os segmentos sociais. Boa leitura a todos.

A série passou a ser republicada de 30 de janeiro a 16 de abril  de 2012 nos mesmos veículos de comunicação abordando ainda a biografia de todos os prefeitos e de algumas personalidades.

PEREIRA, Elias Gonçalves. Vivendo Nossa História. Jaru, RO. 2013. 
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Vivendo Nossa História: AABB Comunidade


   O Projeto AABB Comunidade surgiu em Jaru em agosto de 2005 através da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) que, juntamente com a Federação do Banco do Brasil e as Federações das AABB’s se esforçou para que o município fosse contemplado com o referido projeto. O programa tem uma importante parceria com a Prefeitura de Jaru, onde a mesma cede servidores que prestam serviços educacionais aos alunos atendidos.

Na época em que foi criado, o projeto AABB Comunidade, tinha como Coordenadora Pedagógica a professora Núbia Passos Pinheiro Morali, que atualmente ocupa o cargo de Representante de Ensino no município. Em 2005, o gerente regional do Banco do Brasil era Marcos Bachiega e a agência local tinha como gerente Walter de Almeida. Além disso, José Hélio de Souza Prates e Jorgino de Freitas estavam nas funções de Consultor do Programa AABB Comunidade e Presidente da AABB, respectivamente.
Corpo docente do projeto AABB Comunidade

De acordo com informações prestadas através dos responsáveis pelo projeto AABB Comunidade em Jaru, o programa atende diariamente cem crianças, oriundas de famílias carentes em Jaru. Os objetivos do AABB Comunidade são inúmeros e dentre eles está contribuir para a inclusão e o desenvolvimento educacional de crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. As atividades acontecem nas dependências da sede do Clube AABB e possui enfoque em questões socioeducativas, culturais, artísticas, esportivas e de saúde, integrando as famílias, a escola e a comunidade.

O programa AABB Comunidade destina-se às crianças e adolescentes de ambos os sexos, na faixa etária de seis a dezessete anos. Para participar das atividades, os alunos precisam ser comprovadamente de baixa renda e estarem regularmente matriculados na Rede Pública de Ensino.

Atualmente o Projeto AABB Comunidade tem à frente cinco pessoas atuando em seus respectivos cargos. As funções são: Coordenadora Pedagógica: Cristiane Chaves Ribeiro; Gerente da Agência Banco do Brasil: Osmar Alves dos Santos; Presidente da AABB: Claudemir de Andrade; Superintendente: Edvald Sebastião de Souza e Consultor do Programa na Agência: José Hélio de Souza Prates. Todos os envolvidos no Projeto AABB Comunidade procuram agir com prudência e dinamismo, fazendo com que os reais objetivos sejam plenamente alcançados.

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Vivendo Nossa História: Abrão Rocha

 
Abrão Rocha nasceu no dia 05 de maio de 1964, na cidade de São Paulo (SP). Filho de Humberto Rocha e Alzira Cipriano de Oliveira, Abrão passou boa parte da infância em sua cidade natal e em seguida mudou-se, juntamente com os pais, para Ubiratã, município do interior paranaense.  Ele permaneceu dez anos no local até chegar ao município de Jaru em 10 de agosto de 1989. 

De acordo com Aparecida Rocha Cipriano, irmã de Abrão Rocha, ele era honesto, simples e extrovertido. Abrão gostava de estar sempre envolvido com alguma coisa importante. Dentre suas atividades prediletas estavam: participar de eventos com grupo de jovem da comunidade religiosa a qual pertencia, tocar violão e atuar no Grêmio Estudantil, entidade representativa da classe escolar. Abrão Rocha atuou como bancário em Jaru, chegando ao posto de gerente do Bradesco na agência local.

A vida de Abrão Rocha em Jaru foi composta de conquistas promissoras. Ele se formou em como Técnico em Contabilidade (nível médio) na Escola Plácido de Castro e tinha certeza dos ideais que almeja alcançar. Familiares relatam que a garra e determinação que Abrão possuía foram suficientes para contagiar a muitos com a sua alegria de viver.

Abrão Rocha não teve tempo suficiente para demonstrar todo o seu potencial. Ele faleceu em 01 de novembro de 1992, vítima de afogamento no Rio Jaru. Eram apenas três anos dele em Jaru. Fontes revelam que a fatalidade ocorrera em um fim de semana quando o mesmo saiu para divertir-se em um grupo de amigos, no local conhecido à época como Bom Jardim às margens do Rio Jaru. Porém nada aconteceu como esperavam e Abrão acabou morrendo nas águas do mais importante rio do município. O fato ficou registrado na lembrança de familiares e amigos por muitos anos. Abrão Rocha viveu apenas 28 anos, mas em virtude da importante do mesmo perante a sociedade jaruense, decidiu-se que o mesmo seria homenageado com o nome em uma importante escola da Rede Municipal de Ensino. Estava criada a Escola Municipal Abrão Rocha.

A Escola Abrão Rocha

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Abrão Rocha teve suas atividades iniciais no ano de 1993 em um prédio com apenas três salas de aula, uma sala de direção, uma cozinha, um banheiro e uma varanda estreita. A doação do terreno foi feita pelo senhor Carlos Rosa Alves e sua esposa Maria Josefa Alves, ambos imbuídos pela necessidade de uma escola para atender a comunidade do Setor 03. 

A escola foi criada pelo Decreto de nº 1.314/GP/94 de 21 de março de 1994, sendo nomeada Escola de 1º Grau Abrão Rocha e situada à Rua Padre Chiquinho S/nº no setor 04, sendo este bairro de predominância residencial. Hoje a escola possui suas instalações à Rua Marechal Rondon n.º 2258, Setor 03 neste município, onde foi ampliado o número de salas de aula e de apoio ao trabalho docente, atende a uma clientela oriunda de famílias trabalhadoras, a escola possui como meta primordial o desenvolvimento das potencialidades dos alunos.

A escola conta com prédio próprio, sendo que sua construção inicial não foi para fins exclusivos desta, passando por algumas ampliações e adequações de sua estrutura. Ela possui dois pavilhões, um em alvenaria e coberto com telhas de barro e outro em madeira e telha eternite é murada e os portões ficam sempre fechados impedindo que alguma criança saia das dependências da escola em horário de escolar. Além do apoio da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Educação que fornece produtos alimentícios (semanalmente) material de limpeza, gás, entre outros auxílios, a escola também conta com o apoio de alguns programas diretamente do Governo Federal como: PDE e PDDE, que muito auxilia na administração dando condições para que a escola possa atender sua clientela dentro de uma situação satisfatória, tanto na parte pedagógica quanto na parte de limpeza e outras necessidades.

A instituição busca estar em consonância com as necessidades de aprendizagem apresentadas pelo educando. Assim sendo, promove a aprendizagem de 1º ao 6º ano do Ensino Fundamental regular de nove anos conforme Lei 11.274, de fevereiro de 2006, e o Ensino Seriado EJA – Educação de Jovens e Adultos, 1º seguimento. O funcionamento da escola se dá entre os dias de segunda à sexta-feira, em três turnos de trabalho (matutino vespertino e noturno). 

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Vivendo Nossa História: Aldemir Cantanhêde


 O seringueiro Aldemir Lima Cantanhêde nasceu no dia 21 de dezembro de 1924 no Seringal Setenta. Filho de Ricardo Cantanhêde e Amândola Lima Cantanhêde, Aldemir cursou o primário no Colégio Dom Bosco, em Manaus-AM e o científico no Colégio Nazaré em Belém-PA. Parte da trajetória do pioneiro Aldemir é idêntica a de seu único irmão, o também seringueiro, Raimundo Cantanhêde com quem trabalhou durante muito tempo nos seringais que existiam entre os – atualmente – municípios de Jaru e Ariquemes e administravam inclusive, uma empresa que trabalhava com a matéria-prima da seringa.
Aldemir Cantanhêde e outros amigos sobre a ponte do Rio Jaru

A firma que a família Cantanhêde possuía denominada “A. Cantanhêde” foi de grande importância para o desenvolvimento dos seringais na região. Em nome da empresa chegou a existir 354 mil hectares de terra de seringa, que compreendia na época a cidade de Jaru (que se denominava Santos Dumont), Seringal Cajazeiras, Seringal Setenta, Seringal Rio Pardo e Seringal Monte Belo, esse último hoje a cidade de Ariquemes. O complexo seringalista chegou a produzir 400 toneladas de látex por ano. A empresa que Aldemir ajudou a administrar possuiu 382 Títulos, que representava 1.382 contratados para exploração do látex, não considerando todos os membros de cada família ali existente, também não sendo considerado os peões contratados ou agregados a cada família. No seringal era utilizado como meio de transporte o lombo de burros, chegando a adquirir 1.500 burros para penetração nas matas da região.

Aldemir era um seringalista respeitado. Por sua maneira de conduzir seus negócios, fez sua história de maneira que deixou seu nome e de seu irmão (Raimundo), como também de seu pai (Ricardo), na cidade de Jaru e Ariquemes. De acordo com uma das filhas de Aldemir, Sirlei Maria Lima Cantanhêde, ele era um homem desbravador, guerreiro, incansável e não via nenhuma dificuldade em levar adiante os negócios mesmo após a morte de seu querido irmão. Fazia de tudo para deixar seus peões satisfeitos e à vontade para se manifestarem. Mesmo sendo patrão, às vezes parecia pai, por se tornar amigo. Tudo à sua maneira e com muito respeito. Sirlei relata que Aldemir realizava grandes festejos no dia 21 de setembro. As comemorações eram consideradas como um grande motivo para reunir toda família que ali residia e de cidades vizinhas.

Os filhos de Aldemir Lima Cantanhêde o consideram como uma das pessoas mais incríveis no que se refere à honestidade, caráter e humildade. Sirlei Maria diz que bastava um olhar para entender os ensinamentos que ele queria transmitir. “Ele partiu, mas deixou um legado muito importante para as futuras gerações, pois acreditava que sempre era possível lutar para vencer na vida e realizar sonhos”, declara em tom saudosista a família.
Raimundo Cantanhêde e Aldemir


Outros familiares de Aldemir também narraram ao autor fatos importantes a respeito dele. Maria Graciana Ribeiro Cantanhêde (sobrinha) e Nair Ribeiro Cantanhêde (cunhada) destacam algumas qualidades que Aldemir possuía. Segundo elas, Aldemir Lima Cantanhêde era uma pessoa extrovertida e brincava com todos à sua volta. Aldemir gostava muito de crianças e em época de fim de ano, os filhos de seus empregados nos seringais sempre ganhavam presentes que ele fazia questão de entregar. Além disso, “ele (Aldemir) gostava muito de se divertir, montar em animais e festejar”, relata a cunhada, dona Nair Cantanhêde.

Aldemir Lima Cantanhêde não se casou, mas teve treze filhos. Três deles são falecidos, duas filhas moram no Estado do Rio de Janeiro e os demais estão vivos residindo em Porto Velho. Com a morte de seu pai em 1948, ele interrompeu os estudos para conduzir os negócios da família que se traduzia na exploração extrativa vegetal, produção oriunda do látex da seringa. Tal atividade se desenvolvia nos seringais de Ariquemes, Cajazeiras, Quatro Cachoeiras, Setenta, Lapiconga e Jaru. Com fim dos seringais nativos pela falta de apoio creditício e pela política de ocupação de Rondônia iniciada nos anos 70, desfez-se da maioria dos seringais para se tornar Cacuicultor nas terras do “Seringal Setenta”, onde mais tarde seria sepultado após falecer em Mineiros (GO), em 17 de dezembro de 1986, vítima de insuficiência renal. Segundo familiares, atualmente o corpo de Aldemir se encontra enterrado junto com o irmão em Porto Velho, Capital de Rondônia.

Aldemir era um seringalista respeitado, por sua maneira de conduzir seus negócios, fez sua história de maneira que deixou seu nome e de seu irmão, como também de seu pai, na cidade de Jaru e Ariquemes. Familiares se sentem honrados e, segundo eles, significa um reconhecimento a uma das pessoas que mais impulsionou o progresso do município de Jaru.

Jaru tem quatro locais públicos com nomes que remetem à família Cantanhêde. Duas ruas (Ricardo Cantanhêde e Raimundo Cantanhêde) e duas escolas públicas: Raimundo Cantanhêde (estadual) e Aldemir Lima Cantanhêde (municipal).

        A Escola Aldemir Cantanhêde

A Escola Aldemir Lima Cantanhêde recebeu inicialmente o nome de Escola Municipal de 1° grau “Palmira José de Souza” em homenagem a então primeira-dama do estado, através do decreto lei n° 516GP/89 de 17 de fevereiro de 1989. Teve o seu nome alterado no dia 30 de janeiro de 1992. Essa tramitação baseou-se no Decreto de Lei de n° 187/G1/92. A autorização de funcionamento da instituição foi concedida através da Resolução 099/CEE/RO/92, do Conselho Estadual de Educação. 

A Escola possui um ambiente acolhedor, onde os alunos contam com um espaço para expressarem-se sem receio de serem discriminados, procurando sempre elevar a auto-estima dos mesmos. O estabelecimento de ensino funciona em três turnos: matutino, vespertino e noturno, oferecendo o Ensino Fundamental de 09 anos do 1º ao 9º ano regular e a modalidade de Educação de Jovens e Adultos.

A instituição possui cinco salas de aulas em boas condições de funcionamento, com iluminação e ventilação adequadas. As instalações sanitárias estão de acordo com as normas exigidas pela vigilância sanitária do município. 

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Vivendo Nossa História: Apae


Sede atual da Apae de Jaru
     A Escola Especial “Preciso de Carinho” é mantida pela APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. Foi fundada em 10 de setembro de 1986 tendo como Presidente a senhora Alzira Coelho Baratela, ainda sem local definido para sede e funcionamento. Àquela ocasião, o Lions Clube ofereceu a sede para abrigar a APAE, fazendo também uma colaboração financeira, através do Sr. Valdir José da Silva, (membro do Lions), para a fundação do prédio/APAE, sendo que o então prefeito Leomar José Baratela também se ofereceu para colaborar, se fosse o caso, com despesas de aluguel, que era uma das necessidades do momento. Os convênios existentes eram LBA e SEMESP. Os atendimentos eram oferecidos por profissionais capacitados: professores, psicólogos, assistente social, fisioterapeuta, pedagogo e voluntários.


Segunda sede da Apae
     Para manutenção da entidade eram realizados eventos como bailes, chá beneficente, feijoada, festa da amizade, bingos, arraial, shows etc. Foi também estabelecido que parte dos recursos seriam advindos da própria comunidade e diversos órgãos públicos e entidades que colaboravam em nível de subvenção, ou seja, a Prefeitura Municipal, a LBA e outros órgãos.

     O número de alunos cadastrados para serem beneficiados com o atendimento era um total de 50 (cinquenta), sendo que o atendimento dependia de espaço físico. Para verificação da necessidade e número de alunos a atender foram realizadas, então, visitas domiciliares nas localidades do Município e o espaço físico não comportaria. Foi então que iniciou o atendimento na Escola criada pela APAE em 14/03/87 com 12 (doze alunos). Os funcionários deveriam ser contratados pelo Governo do Estado, reconhecendo que o processo de estruturação da APAE era lento e o objetivo maior era promover o bem estar e ajustamento geral dos educandos excepcionais no meio em que vive, estimulando estudos e pesquisas relativas aos problemas dos excepcionais, auditivo, visual, mental, físico e comportamental, contando sempre com a ajuda dos órgãos Federais, Estaduais, sócios, Lions Clube de Jaru, comerciantes, industriais, pais, funcionários e comunidades em geral.

Primeira sede da Apae

 Para melhor funcionamento da escola, sempre na primeira semana de cada ano letivo, além da reunião com os funcionários, realizava-se reunião com os pais, expondo os objetivos e metas do trabalho, onde se solicitava ajuda dos mesmos para conservação do espaço físico da entidade através de mutirões nos finais de semana ou auxílio individual, conforme a possibilidade da cada um. Além disso, todos eram convocados a ajudarem nas festividades promovidas pela escola.

     Para matrícula do aluno, já se fazia anamnese, estudo sócio-econômico, triagens e visitas domiciliares, além de acompanhamento médico pela Pediatra voluntária, Dra. Célia. Semestralmente era realizado estudo de caso de cada aluno, com técnicos, ou seja, avaliações gerais das atividades com intuito de saber se foram alcançados os objetivos gerais do trabalho com os alunos e com a família.

     Devido à carência das famílias dos educandos, através da assistente social eram adquiridas as consultas com o Neurologista em Ji-Paraná. Os alunos eram acompanhados das mães, psicólogo e assistente social até o local da consulta. O tratamento dentário era realizado no Centro de Saúde do Município e caso houvesse necessidade de anestesia geral, era encaminhado para o Município de Ji-Paraná no Hospital SESP.  Posteriormente a Apae conseguiu instalar-se em prédio próprio, o que facilitou o aperfeiçoamento de suas estruturas.

     Hoje a Apae já possui condições muito mais adequadas de atendimento aos educandos, sem embargo de todas as dificuldades encontradas pelas instituições escolares semelhantes espalhadas pelo país. No ano de 2004 iniciou-se a construção da Cozinha Experimental e a ampliação da Estrutura Física da escola para melhor instalação da equipe administrativa e técnico-pedagógica do estabelecimento de ensino, sendo inaugurados esses novos pavilhões no ano de 2005. Na atualidade, estão sendo desenvolvidas atividades pedagógicas, atendimento de psicopedagogia, psicologia, fisioterapia e fonoaudiologia, além de oficinas de capacitação profissional (marcenaria, cozinha experimental e artesanato). No ano de 2005 quatro alunos foram colocados no mercado de trabalho. 

     A Escola Especial “Preciso de Carinho” é muito bem aceita pela sociedade jaruense e circunvizinhas. Os alunos participam de competições culturais de níveis estadual e interestadual obtendo excelentes resultados, o que demonstra sua atuação e potencial para o pleno exercício da cidadania. A atual diretora da Apae de Jaru é a professora Sônia Cordeiro de Souza e o Presidente é o senhor Izaque de Castro Medeiros. A instituição atende em torno de 220 alunos. O atendimento é feito também a pessoas da região, culminando assim com um dos mais importantes serviços educacionais prestados à população. 

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Vivendo Nossa História: Beatriz Mireya


Betriz Mireya com alguns de seus alunos: uma vida à serviço da educação

   Beatriz Mireya Zaconeta Nuñes nasceu em 22 de maio de 1973 na cidade boliviana de Guayaramerim. Filha de Francisco Nuñes Reges e Beatriz Zagoneta Arjavivi de Nuñes se naturalizou brasileira no ano de 1985. Ela cursou de 1.ª a 3.ª Séries na Escola Nove de Abril existente na cidade de Guayaramerim de 1979 a 1981. O estudo de 4.ª e 5.ª Séries foi cursado na Escola Fiscal Mista Mejilhons existente na mesma cidade e país.

A segunda etapa do Ensino Fundamental foi cursada por Beatriz Mireya já no Brasil. A partir da 6.ª Série e até o 2.º Grau (atualmente denominado como Ensino Médio), ela estudou na Escola de 1.º e 2.º Graus Paulo Saldanha, em Guajará Mirim (Rondônia), concluindo a presente etapa em 1988.

Em 1989 Beatriz Mireya veio para Jaru e continuou seus estudos na Escola Estadual Plácido de Castro fazendo o saudoso curso de Magistério. Nessa época, segundo informações, Beatriz morava com o seu primo Yuiz Gastou Hinojosa Nuñes que trabalhava no Hospital Geral de Jaru. Durante esse período ela conheceu Geneci Celso de Lima. Após um namoro de nove meses, decidiram se casar e no dia 27 de outubro de 1989 selaram a união matrimonial. Conforme relatado por Geneci, Beatriz Mireya tinha muitas qualidades. Após o casamento, passou a se chamar Beatriz Mireya Zaconeta Nuñes Lima.

Durante o ano de 1991, Beatriz Mireya realizou um concurso público para a função de Professora Classe Única para a zona rural do município de Jaru. Graças aos conhecimentos que possuía, foi aprovada e assumiu inicialmente a função de professora na Escola Araguaçu que existia à Linha 612, Km 12. Ela foi beneficiada por estar cursando o Magistério e em seguida foi lotada no Centro de Assistência ao Menor (Ceam I – que depois se transformaria em Escola Beatriz Mireya), no Setor 04, local onde lecionou para crianças de zero a seis anos.

A conclusão do Magistério foi a realização de um sonho para Beatriz Mireya. O então esposo Geneci Celso de Lima foi o padrinho da turma participando dessa importante etapa na vida da jovem professora. Porém, em 1992, eles se separaram e Beatriz voltou a morar por um pequeno espaço de tempo com o primo Yuiz, decidindo em seguida trilhar o seu caminho sozinha.

Beatriz Mireya foi assassinada em 06 de novembro de 1993. Investigações feitas à época do crime apontaram o ex-namorado dela como suspeito de ser o responsável pela morte, ocasionada possivelmente por ciúmes.

A Escola Beatriz Mireya


A Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental Beatriz Mireya está localizada à Rua Osvaldo Cruz s/n, setor 4, (Antigo CEAM I) na área urbana  de Jaru e foi criada através do decreto municipal nº 3.466/GP/03, de 24 de março de 2003. A escola começou a funcionar atendendo a uma clientela composta de crianças de 0 a 6 anos. O primeiro decreto de Criação da instituição é datado do ano 2000 e a denominava como Escola Beatriz Mireya Zaconeta Nuñes, porém o decreto feito em 2003 abreviou o nome para somente Escola Beatriz Mireya. Atualmente a escola conta com alunos do Maternal ao 5.º Ano.

A escola baseia-se nos princípios de liberdade de expressão, condições para o desenvolvimento do aluno; valorização da família, como um agente co-participativo do processo educativo, e garantia de uma educação de qualidade. A instituição procura-se evidenciar uma linha sócio-interacionista, oferecendo uma educação que promova o aperfeiçoamento individual e coletivo, atendendo os diversos aspectos do desenvolvimento humano. A escola, ainda procura integrar o aluno a família ao seu meio, através de métodos e soluções, tentando resolver os problemas relacionados ao cotidiano. 

A missão do estabelecimento de ensino é garantir o acesso e permanência dos alunos no estabelecimento de ensino, oferecendo-lhes uma educação de qualidade, concretizando-se sobre o exercício da cidadania, valorização da infância para a construção do adulto consciente e capaz de agir na transformação da sociedade. 





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Vivendo Nossa História: Capitão Sílvio



       Capitão Sílvio Gonçalves de Farias nasceu em 12 de agosto de 1923 na cidade de Ubá, em Minas Gerais, terra do sempre tão reverenciado Ary Barroso. A sua morte ocorreu no ano de 1978 em dia e mês desconhecidos.

Capitão Sílvio não criou a graça e as sutilezas das músicas de seu conterrâneo Ary Barroso, mas em ação conjunta com seus companheiros de Incra, criou, e ampliou uma estrutura agrária bem desenhada, e impregnada de grande justiça social: terras para quem conhece o “cheiro da terra”, terra para os homens que com suas mãos souberam arrancar de seus lotes, não somente o seu sustento, mas principalmente, souberam construir a vigorosa agropecuária de Rondônia.

Antes de chegar ao Incra foi abrigado na hermética sigla DFZ-04, do extinto Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), sediada em Porto Velho.  Percorreu, como profissional da topografia que era, as linhas demarcatórias como profissional do Serviço Geodésico do Exército.  Depois passou a semear centenas de campos de pouso, sob a orientação da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara), arrancando do isolamento, vilarejos, pequenos burgos, agrupamentos indígenas, perdidos na imensidão da floresta tropical. Daí o seu profundo conhecimento teórico e, sobretudo prático, conhecimento adquirido no campo, através de penosas caminhadas de topógrafo, conhecimento e verdadeira paixão e fixação pelos mapas.

Capitão Sílvio era casado com Dona Terezinha, com quem teve três filhos: Sílvia (aeromoça e depois instrutora da Varig), Sílvio (comerciante) e Evaldo (advogado). Ainda teve tempo para agasalhar o filho adotivo Rubens que, segundo informações, permanece em Rondônia. Nas lutas para definir a estrutura agrária de Rondônia, o Capitão Sílvio abraçou a causa dos seringalistas; os pioneiros que com as atividades extrativistas da coleta do látex da seringueira, da coleta dos ouriços da castanha-do-pará, das peles de animais silvestres, resguardaram nossas fronteiras e deram sentido econômico às florestas da Amazônia sem lhes causar maiores danos. Eram atividades pontuais, que envolviam um pequeno número de trabalhadores extrativistas e que não causaram maiores danos ao meio ambiente.

O fato de apoiar os seringalistas fez com que Capitão Sílvio tivesse muita dificuldade na regularização (venda/compra) da gleba do Seringal Nova Vida que à época pertencia a Emanuel Pontes Pinto e irmãos para o grupo de João Arantes Filho que chegava a Rondônia. Uma das razões que levou ao confronto o Capitão Sílvio com o Grupo dos Arantes foi a destinação que os compradores deram à gleba de terras: pecuária. As centenas de milhares de hectares de terras do “Nova Vida”, eram de excelente qualidade, e entendia o Capitão Sílvio, que elas deveriam ser voltadas para a ocupação por pequenos agricultores, vocacionados para a produção de alimentos e não para criar bois. Nesse período, Capitão Sílvio Gonçalves de Farias “bate de frente” com as coisas que ele considerava como irregulares e resolve proteger o interesse dos colonos.

Uma das mais notáveis contribuições do Incra e do falecido Capitão Sílvio Gonçalves Farias foi a parceria montada com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). A Ceplac desenhou com o Incra a estrutura fundiária da cacauicultura de Rondônia. Destinou aos parceleiros dos Projetos Integrados de Colonização (PIC’s), que recebiam lotes de 100 hectares, uma área de plantio de cacau de 10 hectares, era o módulo familiar. O desenho da estrutura agrária cacaueira foi criado pelos agrônomos Assis Canuto do Incra e Frederico Monteiro Álvares Afonso, da Ceplac, apoiados pela concepção cartográfica do Capitão Sílvio, do projeto Fundiário do Incra.

A homenagem que Rondônia fez ao Capitão Sílvio Gonçalves de Farias ainda está muito aquém de sua importância para o desenvolvimento do Estado. Embora haja 52 municípios, nenhum possui o seu nome. Em Ariquemes tem uma rua com o nome de Capitão Sílvio Gonçalves de Farias, a principal via de acesso à cidade, uma lembrança do ex-prefeito Francisco Sales. Em Jaru, município localizado a cerca de 290 quilômetros de Porto Velho, Capital do Estado de Rondônia, existe uma escola com o mesmo nome e que será tratada logo abaixo.

A Escola Capitão Sílvio

A Escola Capitão Sílvio de Farias remonta aos tempos de avanço da construção do município de Jaru e tem se tornado, desde então, referência tradicional, em vista do tempo de funcionamento, da quantidade de alunos que abrange e dos resultados educacionais alcançados. É a segunda instituição mais antiga da cidade e inicialmente era um estabelecimento de ensino municipal. Ela foi criada através de uma solicitação da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec) de Ariquemes, por meio do Decreto 1121/80, com o nome de Escola de 1.º e 2.º Graus Capitão Sílvio de Farias.

A escola foi construída no mesmo local onde está funciona atualmente. A Semec de Ariquemes, orientada pelo Parecer 02/76-CTE/RO e por meio do Ofício 408/81, solicitou a autorização de funcionamento, mas a instituição funcionou sob a tutela municipal por apenas um e, desde então, faz parte do quadro estadual. Parte dos estudantes, principalmente de 5.ª a 8.ª Séries, era composta por aqueles que estavam sendo transferidos do antigo prédio da Escola Plácido de Castro (no local onde funciona a Escola Olga Dellaia), quando a mesma migrara para o novo prédio (agora localizado à Avenida Plácido de Castro com a Dom Pedro I).

Em 27 de novembro de 1981, o documento n.º 153/81-CTE/RO autorizou o funcionamento até 1983, permitindo o 1.° Grau de 1.ª a 8.ª Séries e o 2.º Grau na modalidade Magistério. No ano de 1991, o Magistério foi extinto na instituição, sendo substituído pelo Colegial, agora com o nome de Ensino Médio. Atualmente, a Escola Capitão Sílvio de Farias possui turmas do 6.º ao 9.º Anos do Ensino Fundamental e o Ensino Médio. O estabelecimento de ensino funciona nos horários matutino, vespertino e noturno e é responsável pela formação cidadã de inúmeros alunos.

 
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