sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Escolas de Jaru: Abrão Rocha

Abrão Rocha faleceu em 1992 vítima de afogamento
(Fonte: Acervo da Escola Plácido de Castro)

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Clique aqui e veja um resumo de cada gestão municipal de Jaru de forma individualizada. 
 
Abrão Rocha nasceu no dia 05 de maio de 1964, na cidade de São Paulo (SP). Filho de Humberto Rocha e Alzira Cipriano de Oliveira, Abrão passou boa parte da infância em sua cidade natal e em seguida mudou-se, juntamente com os pais, para Ubiratã, município do interior paranaense.  Ele permaneceu dez anos no local até chegar ao município de Jaru em 10 de agosto de 1989.

De acordo com Aparecida Rocha Cipriano, irmã de Abrão Rocha, ele era honesto, simples e extrovertido. Abrão gostava de estar sempre envolvido com alguma coisa importante. Dentre suas atividades prediletas estavam: participar de eventos com grupo de jovem da comunidade religiosa a qual pertencia, tocar violão e atuar no Grêmio Estudantil, entidade representativa da classe escolar. Abrão Rocha atuou como bancário em Jaru, chegando ao posto de gerente do Bradesco na agência local.

A vida de Abrão Rocha em Jaru foi composta de conquistas promissoras. Ele se formou como Técnico em Contabilidade (nível médio) na escola Plácido de Castro e tinha certeza dos ideais que almeja alcançar. Familiares relatam que a garra e determinação que Abrão possuía foram suficientes para contagiar a muitos com a sua alegria de viver.

Abrão Rocha não teve tempo suficiente para demonstrar todo o seu potencial. Ele faleceu em 01 de novembro de 1992, vítima de afogamento no Rio Jaru. Eram apenas três anos dele em Jaru. Fontes revelam que a fatalidade ocorrera em um fim de semana quando o mesmo saiu para divertir-se em um grupo de amigos, no local conhecido à época como Bom Jardim às margens do Rio Jaru. Porém nada aconteceu como esperavam e Abrão acabou morrendo nas águas do mais importante rio do município. O fato ficou registrado na lembrança de familiares e amigos por muitos anos. Abrão Rocha viveu apenas 28 anos, mas em virtude da importância dele perante a sociedade jaruense, decidiu-se que o mesmo seria homenageado com o nome em uma importante escola da Rede Municipal de Ensino. Estava criada a escola municipal Abrão Rocha.

 A Escola Abrão Rocha  

Prédio da escola municipal Abrão Rocha em registro feito no dia 14 de dezembro
de 2006 (Foto: Elias Gonçalves)
A escola municipal de ensino fundamental Abrão Rocha teve suas atividades iniciais no ano de 1993 durante a administração do prefeito Ruy Luiz Zimmer. À época, a instituição de ensino começou a funcionar em um prédio com apenas três salas de aula, uma sala de direção, uma cozinha, um banheiro e uma varanda estreita. A doação do terreno foi feita pelo senhor Carlos Rosa Alves e sua esposa Maria Josefa Alves, ambos imbuídos pela necessidade de uma escola para atender a comunidade do Setor 03.

A escola foi criada pelo Decreto de nº 1.314/GP/94 de 21 de março de 1994, sendo nomeada Escola de 1º Grau Abrão Rocha e situada à Rua Padre Chiquinho S/nº no Setor 04, sendo este bairro de predominância residencial. Hoje a escola possui suas instalações à Rua Marechal Rondon n.º 2258, Setor 03 neste município, onde foi ampliado o número de salas de aula e de apoio ao trabalho docente. A instituição atende a uma clientela oriunda de famílias trabalhadora e possui como meta primordial o desenvolvimento das potencialidades dos alunos.

Prédio da escola em fevereiro de 2020 
(Foto: Elias Gonçalves)  

A escola conta com prédio próprio, sendo que sua construção inicial não foi para fins exclusivos desta atividade educacional, sendo necessário à época da mudança de endereço ampliações e adequações na estrutura do prédio. A unidade escolar possui dois pavilhões, um em alvenaria e outro em madeira, sendo ambos cobertos com telhas de Eternit. É murada e os portões ficam sempre fechados impedindo que alguma criança saia das dependências da instituição em horário escolar sem a devida autorização. Além do apoio da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Educação (SEMED) que fornece produtos alimentícios, material de limpeza, gás, entre outros auxílios, a escola também conta com o apoio de alguns programas diretamente do Governo Federal que auxiliam na administração dando condições para que a escola possa atender sua clientela dentro de uma situação satisfatória, tanto na parte pedagógica quanto na parte de limpeza e outras necessidades.

A instituição busca estar em consonância com as necessidades de aprendizagem apresentadas pelo educando. Assim sendo, promove a aprendizagem de 1º ao 5º ano do ensino fundamental regular de nove anos nos períodos matutino e vespertino.

A escola Abrão Rocha é vista como uma referência no ensino municipal por estar em primeiro lugar há vários anos em avaliações externas. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) da instituição em 2025 foi de 7,1, sendo o melhor da rede municipal de ensino e a meta estipulada pelo Ministério da Educação sempre é alcançada antes do previsto. A comunidade escolar é uma grande parceira da escola e o empenho de todos é um considerado um fator decisivo para a referência de qualidade e o prestígio do estabelecimento de ensino junto à população jaruense.

 Clique no nome do estabelecimento de ensino e veja a história de cada um deles:

  Abrão Rocha    Aldemir Lima Cantanhêde APAE JARU  Beatriz Mireya   

Capitão Silvio de Farias Creche Domiciliar Casa dos Batutinhas

Cooped CEEJA CTPM XIII   Dayse Mara de Oliveira Martins EFA Dom Antônio

Possamai Escola D' Jaruaru  Elza Maria Fábris  Escola Adventista   Fimca Jaru

Florisvaldo Simões de Oliveira Gabriel Balmant 

 Instituto Federal de Rondônia - IFRO  José de Souza  Josué Montello 

 Governador Jorge Teixeira  Jean Carlos Muniz 

Juscelino Kubitschek Marechal Cordeiro de Farias 


 Maria da Conceição (Clube de Mães)  Maria de Lourdes  


Maria do Socorro Maria Gomes Marechal Costa e Silva 


Menézio de Victo Nilton Araújo  Olga Dellaia   Pato Donald  Pedro Vieira


 Plácido de Castro   Primavera Tânia Barreto Tito Lourenço  Zenir Carvalho


Escolas de Jaru: Pato Donald

Pato Donald: personagem da Disney
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O Pato Donald (em inglês: ‘Donald Duck’) é um personagem de desenhos animados e arte sequencial dos estúdios de Walt Disney, criado em 1934. Donald é um pato branco, de pernas e bico alaranjados, veste sempre uma camisa e quepe de marinheiro. O motivo para isto é que na época em que foi feito, todos os personagens precisavam vestir roupas. Seu nome completo é Donald Fauntleroy Duck

A voz “grasnada” de Donald foi criada pelo dublador Clarence Nash que até então era apenas um homem vindo da zona rural de Watonga, Oklahoma. Nash tinha o dom natural para imitar animais, inclusive sons de patos. No início dos anos 30, mudou-se para a Califórnia, onde fez locução de propaganda numa rádio. A voz que Nash criou para Donald consistia em falar palavras através de um tipo de “ruído”, feito com o canto da boca e os dentes molares, que lembrava o grasnado de um pato. Após Walt Disney o escutar recitando o poema “Mary Tinha um Carneirinho” (Mary Had a Little Lamb) com sua “voz de pato”, chamou-o para uma audição e imediatamente o contratou, adivinhando que havia escolhido a voz certa para o seu novo personagem, Donald. Nash o dublou pela primeira vez no curta A Galinha Esperta (“The Wise Little Hen”). Nessa animação, além de Donald, há também o Porco Peter (“Peter Pig”) que também fala palavras através de sons que lembram grunidos de porco, além da própria Galinha Esperta que emite cacarejos na pronúncia. Clarence Nash voltou a dublar o pato novamente no desenho “Orphan's Benefit” (traduzido como “Show Para os Órfãos” ou “Em Benefício dos Órfãos”), onde Donald recita novamente o poema que fez com que Walt Disney contratasse Nash. E outro chamado “Little Boy Blue, come blow your horn” (ou “Menininho Triste, toque sua corneta” na dublagem brasileira); este desenho foi feito originalmente em preto e branco em 1934 e refeito em cores mais tarde, no ano de 1941 (As duas versões do curta, no entanto, contaram com o mesmo áudio e as mesmas falas, gravadas em 1934).

Clarence Nash deu voz ao Donald em mais de cem desenhos animados inclusive em outras línguas como português e espanhol, em filmes como: The Three Caballeros e Saludos Amigos (ele teve ajuda de roteiros escritos foneticamente, para que pudesse falar as palavras estrangeiras usando as pronúncias corretas); no caso destes dois filmes, os três dubladores, de Donald, Zé Carioca e Panchito, tiveram que dublar as versões em outras línguas para outros países (no DVD de “Você já Foi à Bahia”, estão presentes as três versões, dos EUA, Brasil e México). A pedido de Walt Disney, Nash também dublou Donald em outras línguas em alguns dos seus curtas de 7 minutos, sendo que nas versões feitas para o Brasil naquela época, o narrador era Aloysio de Oliveira, que inclusive também fez a narração de alguns desenhos em que o Pateta aparece sem falas, por exemplo o curta Como Jogar Golfe (“How to Play Golf”).

Uma curiosidade é que nos clássicos desenhos de cinema em que Huguinho, Zezinho e Luizinho aparecem, todos os três tem a mesma voz, que também é feita por Clarence Nash (porém, mais fina que a de Donald), pois, naquele tempo os três sobrinhos tinham a mesma personalidade, falavam e agiam em sincronia e algumas vezes dizendo frases fragmentadas como: “Olá!” “Tio!” “Donald!” (eles foram os primeiros gêmeos nos desenhos animados a falarem frases fragmentadas entre si, seguidos depois por Pipeye, Pupeye, Poopeye e Peepeye, os sobrinhos quadrigêmeos do Popeye). Em séries produzidas mais recentemente como Duck Tales e TV Quack Pack, os três sobrinhos tem personalidades diferentes uma da outra, e não falam todos com a mesma “voz de pato” de Donald. A pata “Donna Duck” que aparece no curta “Don Donald” em 1937 (e que é como um protótipo da Margarida) também foi dublada por Clarence Nash, mas somente em episódios posteriores a esse. A namorada de Donald ganhou a sua própria voz e recebeu o nome de “Daisy Duck”.

Clarence Nash permaneceu como a única voz do pato nos Estados Unidos até a sua morte em 1985, e, logo após, Donald passou a ser dublado por Tony Anselmo, que foi treinado pelo próprio Nash quando este ainda era vivo; mesmo com Anselmo fazendo uma voz um pouco mais aguda do que a que Donald tinha nos desenhos mais antigos.

Desenhos: Donald fez sua primeira aparição em 9 de Junho de 1934 no episódio The Wise Little Hen (lançado no Brasil com o título de “A Galinha Esperta”) da série Sinfonias Tolas. De lá para cá Donald apareceu em vários desenhos do Mickey, ao lado de personagens como Pateta e Pluto. Mas foi apenas em 1937 que Donald estreou sua própria série animada ao lado de sua amada Margarida. O desenho era Don Donald. Seus sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho apareceriam um ano mais tarde, no episódio Os Sobrinhos de Donald.

 A Escola Pato Donald

Prédio de madeira da escola (Foto: Divulgação)

A escola municipal de educação infantil Pato Donald, pioneira no ensino de educação infantil em Jaru, foi criada em 21 de julho de 1986 pelo Decreto nº 2986 sancionado pelo governador Ângelo Angelim, mas o seu prédio já havia sido construído pelo Incra em 1982 em uma instalação de madeira, com exceção de banheiros, cozinha e depósito que eram em alvenaria. O seu surgimento ocorreu devido à grande procura e necessidade da comunidade em se ter uma escola só para a faixa etária do pré-escolar, priorizando um espaço físico adequado. No início a instituição contou 182 alunos.

À época de publicação do decreto foram criadas outras escolas em Jaru, entre elas, Dayse Mara de Oliveira Martins e Pedro Vieira de Melo. A primeira diretora da Escola Pato Donald foi a professora Maria Dolores Barroso Aguiar. Segundo ela, o local onde a instituição começou a funcionar era bem simples, porém aconchegante para a época. Outras educadoras, pioneiras na escola foram Mirian Salete Garcia, Miriam Romero Machado e Lucilene Ugalde da Silva.

Primeiro prédio de material da escola (Foto: Divulgação)

Em 1999, sob a direção da professora Maria Lúcia Milhomens, a escola Pato Donald passou a funcionar em um prédio situado na esquina das ruas Florianópolis e Tiradentes. No local funcionou por vários anos o Colégio Visão e a Cooped e, em 2020, há uma empresa do ramo oftalmológico. Nesse período, a escola deixa de pertencer ao Governo do Estado e passa para o quadro municipal sob o Decreto de Criação 481/GP/00, de 17 de outubro de 2000.

O estabelecimento de ensino funcionou nesse lugar até o ano 2000 com a frente para a Avenida Padre Adolpho Rohl. Em seguida houve uma nova reforma e o prédio de madeira foi demolido. Em seu lugar foi feita uma nova construção de material (tijolos). Várias salas foram construídas e a frente da escola passou a ser do lado da Avenida Rio Branco n.º 1523, Setor 02.

Frente da escola Pato Donald em registro feito no dia 15 de fevereiro de 2020
 (Foto: Elias Gonçalves)

Frente da escola Pato Donald em 
24 de janeiro de 2024
(Foto: Elias Gonçalves)

Durante a obra, a instituição funcionou à Avenida Tiradentes, próximo à Dom Pedro I. Desde então, a Prefeitura de Jaru, através da Secretaria Municipal de Educação, passou a ser o órgão responsável pela escola para garantir o seu pleno funcionamento. O processo que definiu o nome da escola ocorreu por meio de uma escolha feita pelos primeiros alunos que nela estudaram através de votação aberta. A escolha foi entre os personagens Tio Patinhas e Pato Donald, desenhos da Disney que faziam sucesso entre as crianças e, por decisão da maioria, acabou sendo escolhido o nome Pato Donald. Sendo assim, o único estabelecimento de ensino do município que teve o nome definido de forma democrática com a participação direta da classe discente.

 Clique no nome do estabelecimento de ensino e veja a história de cada um deles:

  Abrão Rocha    Aldemir Lima Cantanhêde APAE JARU  Beatriz Mireya   

Capitão Silvio de Farias Creche Domiciliar Casa dos Batutinhas

Cooped CEEJA CTPM XIII   Dayse Mara de Oliveira Martins EFA Dom Antônio

Possamai Escola D' Jaruaru  Elza Maria Fábris  Escola Adventista   Fimca Jaru

Florisvaldo Simões de Oliveira Gabriel Balmant 

 Instituto Federal de Rondônia - IFRO  José de Souza  Josué Montello 

 Governador Jorge Teixeira  Jean Carlos Muniz 

Juscelino Kubitschek Marechal Cordeiro de Farias 


 Maria da Conceição (Clube de Mães)  Maria de Lourdes  


Maria do Socorro Maria Gomes Marechal Costa e Silva 


Menézio de Victo Nilton Araújo  Olga Dellaia   Pato Donald  Pedro Vieira


 Plácido de Castro   Primavera Tânia Barreto Tito Lourenço  Zenir Carvalho

Escolas de Jaru: Aldemir Lima Cantanhêde

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Aldemir Lima Cantanhêde
(Fonte: Teófilo Lourenço de Lima)

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O seringueiro Aldemir Lima Cantanhêde nasceu no dia 21 de dezembro de 1924 no Seringal Setenta. Filho de Ricardo Cantanhêde e Amândola Lima Cantanhêde, Aldemir cursou o primário no Colégio Dom Bosco, em Manaus-AM e o científico no Colégio Nazaré em Belém-PA. Parte da trajetória do pioneiro Aldemir é idêntica a de seu único irmão, o também seringueiro, Raimundo Cantanhêde com quem trabalhou durante muito tempo nos seringais que existiam entre os – atualmente – municípios de Jaru e Ariquemes e administravam inclusive, uma empresa que trabalhava com a matéria-prima da seringa.

A firma que a família Cantanhêde possuía denominada “A. Cantanhêde” e foi de grande importância para o desenvolvimento dos seringais na região. Em nome da empresa chegou a existir 354 mil hectares de terra de seringa, que compreendia na época a cidade de Jaru (que se denominava Santos Dumont), Seringal Cajazeiras, Seringal Setenta, Seringal Rio Pardo e Seringal Monte Belo, esse último hoje a cidade de Ariquemes. O complexo seringalista chegou a produzir 400 toneladas de látex por ano. A empresa que Aldemir ajudou a administrar possuiu 382 Títulos, que representava 1.382 contratados para exploração do látex, não considerando todos os membros de cada família ali existente, também não sendo considerado os peões contratados ou agregados a cada família. No seringal era utilizado como meio de transporte o lombo de burros, chegando a adquirir 1.500 burros para penetração nas matas da região.

Aldemir era um seringalista respeitado. Por sua maneira de conduzir seus negócios, fez sua história de maneira que deixou seu nome e de seu irmão (Raimundo), como também de seu pai (Ricardo), na cidade de Jaru e Ariquemes. De acordo com uma das filhas de Aldemir, Sirlei Maria Lima Cantanhêde, ele era um homem desbravador, guerreiro, incansável e não via nenhuma dificuldade em levar adiante os negócios mesmo após a morte de seu querido irmão. Fazia de tudo para deixar seus peões satisfeitos e à vontade para se manifestarem. Mesmo sendo patrão, às vezes parecia pai, por se tornar amigo. Tudo à sua maneira e com muito respeito. Sirlei relata que Aldemir realizava grandes festejos no dia 21 de setembro. As comemorações eram consideradas como um grande motivo para reunir toda família que ali residia e de cidades vizinhas.

Os filhos de Aldemir Lima Cantanhêde o consideram como uma das pessoas mais incríveis no que se refere à honestidade, caráter e humildade. Sirlei Maria diz que bastava um olhar para entender os ensinamentos que ele queria transmitir. “Ele partiu, mas deixou um legado muito importante para as futuras gerações, pois acreditava que sempre era possível lutar para vencer na vida e realizar sonhos”, declara em tom saudosista a família.

Outros familiares de Aldemir também falaram ao autor e narram algumas coisas importantes a respeito dele. Maria Graciana Ribeiro Cantanhêde (sobrinha) e Nair Ribeiro Cantanhêde (cunhada) destacam algumas qualidades que Aldemir possuía. Segundo elas, Aldemir Lima Cantanhêde era uma pessoa extrovertida e brincava com todos à sua volta. Aldemir gostava muito de crianças e em época de fim de ano, os filhos de seus empregados nos seringais sempre ganhavam presentes que ele fazia questão de entregar. Além disso, “ele (Aldemir) gostava muito de se divertir, montar em animais e festejar”, relata a cunhada, dona Nair Cantanhêde.

Aldemir Lima Cantanhêde não se casou, mas teve treze filhos. Três deles são falecidos, duas filhas moram no Estado do Rio de Janeiro e os demais estão vivos residindo em Porto Velho. Aldemir cursou somente até o Ginásio (hoje conhecido como a conclusão do Ensino Fundamental). Com a morte de seu pai em 1948, ele interrompeu os estudos para conduzir os negócios da família que se traduzia na exploração extrativa vegetal, produção oriunda do látex da seringa. Tal atividade se desenvolvia nos seringais de Ariquemes, Cajazeiras, Quatro Cachoeiras, Setenta, Lapiconga e Jaru. Com fim dos seringais nativos pela falta de apoio creditício e pela política de ocupação de Rondônia iniciada nos anos 1970, desfez-se da maioria dos seringais para se tornar Cacuicultor nas terras do “Seringal Setenta”, onde mais tarde seria sepultado após falecer em Mineiros (GO), em 17 de dezembro de 1986, vítima de insuficiência renal. Segundo familiares, atualmente o corpo de Aldemir se encontra enterrado junto com o irmão em Porto Velho, Capital de Rondônia.

Aldemir era um seringalista respeitado, por sua maneira de conduzir seus negócios, fez sua história de maneira que deixou seu nome e de seu irmão, como também de seu pai, na cidade de Jaru e Ariquemes. Familiares se sentem honrados e, segundo eles, significa um reconhecimento a uma das pessoas que mais impulsionou o progresso do município de Jaru.

Jaru tem quatro locais públicos com nomes que remetem à família Cantanhêde. Três ruas (Ricardo Cantanhêde, Aldemir Lima Cantanhêde e Raimundo Cantanhêde) e uma escola pública: Aldemir Lima Cantanhêde (municipal).

        A Escola Aldemir Cantanhêde

Fachada da escola Aldemir em 31 de janeiro de 2020, quando a mesma
funcionava no antigo prédio da Rua Mato Grosso (Foto: Elias Gonçalves)

A escola Aldemir Lima Cantanhêde recebeu inicialmente o nome de Escola Municipal de 1° grau “Palmira José de Souza” em homenagem a então primeira-dama do estado, através do decreto lei n° 516/GP/89 de 17 de fevereiro de 1989 durante o mandato do prefeito Sidney Rodrigues Guerra (1943-2003). O estabelecimento de ensino teve o seu nome alterado no dia 30 de janeiro de 1992 para escola Aldemir Lima Cantanhêde. Essa tramitação baseou-se no Decreto de Lei de n° 187/GP/92. A autorização de funcionamento da instituição foi concedida através da Resolução 099/CEE/RO/92, do Conselho Estadual de Educação.

A escola possui um ambiente acolhedor, onde os alunos contam com um espaço para expressarem-se sem receio de serem discriminados, procurando sempre elevar a auto-estima dos mesmos. O estabelecimento de ensino funciona nos períodos matutino e vespertino, oferecendo o Ensino Fundamental de 09 anos do 1º ao 5º ano.

O novo endereço da escola Aldemir Lima Cantanhede passou a ser nas instalações onde funcionou por muitos anos a escola estadual Tito Lourenço de Lima – hoje extinta – no Setor 01-A em Jaru. O prédio foi inaugurado em 1992 durante o período em que o município estava sob intervenção estadual e Jaru era administrado pelo Interventor Antônio Luiz Campanari. No período de 09 de maio de 2017 até a inauguração da escola municipal Maria do Socorro Lopes Soares, ocorrida em 10 de fevereiro de 2020, o local serviu também para o funcionamento das atividades pedagógicas da escola municipal Tânia Barreto. 

 Em sua busca incessante pelo saber, a Escola Aldemir Lima Cantanhede se apresenta como uma escola pública de referência na promoção de uma educação inclusiva, inovadora e de qualidade, comprometida com a formação integral dos estudantes, pautada na pedagogia afetiva, no acolhimento, no respeito às individualidades e na valorização das relações humanas, compreendendo que o afeto, a escuta e o vínculo são fundamentais para a aprendizagem e o desenvolvimento pleno de cada estudante.

Em 17 de julho de 2019, a Prefeitura de Jaru, alegando uma suposta não constatação do decreto de criação da escola, publicou um novo decreto (re) criando a instituição que já existia. Clique aqui e confira o texto do novo decreto municipal. 

 Clique no nome do estabelecimento de ensino e veja a história de cada um deles:

  Abrão Rocha    Aldemir Lima Cantanhêde APAE JARU  Beatriz Mireya   

Capitão Silvio de Farias Creche Domiciliar Casa dos Batutinhas

Cooped CEEJA CTPM XIII   Dayse Mara de Oliveira Martins EFA Dom Antônio

Possamai Escola D' Jaruaru  Elza Maria Fábris  Escola Adventista   Fimca Jaru

Florisvaldo Simões de Oliveira Gabriel Balmant 

 Instituto Federal de Rondônia - IFRO  José de Souza  Josué Montello 

 Governador Jorge Teixeira  Jean Carlos Muniz 

Juscelino Kubitschek Marechal Cordeiro de Farias 


 Maria da Conceição (Clube de Mães)  Maria de Lourdes  


Maria do Socorro Maria Gomes Marechal Costa e Silva 


Menézio de Victo Nilton Araújo  Olga Dellaia   Pato Donald  Pedro Vieira


 Plácido de Castro   Primavera Tânia Barreto Tito Lourenço  Zenir Carvalho

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Prefeitos de Jaru: Sônia Cordeiro

 Clique aqui e veja um resumo de cada gestão de forma individualizada. 

Sônia Cordeiro momentos após ser empossada como prefeita de Jaru
(Foto: Elias Gonçalves)

Sônia Cordeiro de Souza, a primeira mulher a ser eleita para o cargo de prefeita de Jaru, nasceu em Ecoporanga (ES) no dia 30 de maio de 1966 e veio para o Estado de Rondônia em 1986. É graduada em Geografia e também em Estética e Cosmetologia, além de possuir pós-graduação em Ciências Sociais (com ênfase em História, Geografia e Meio Ambiente) e também em Estética Avançada. É casada com Valdeir Anício de Araújo (conhecido como Tracajá) e possui ao todo quatro filhos. Por mais de 33 anos atuou como docente em várias escolas nas redes estadual (de Rondônia) e municipal (de Jaru) e se aposentou como professora estadual em 2017.

Antes de ser eleita para o cargo de prefeita, Sônia Cordeiro teve uma extensa trajetória. Na APAE de Jaru, por exemplo, Sônia trabalhou de 1989 a 1998 na função de professora. Em 2005, retornou o seu trabalho na comunidade apaeana desta vez para assumir o cargo de Diretora Pedagógica, função que desempenhou até parte do primeiro semestre de 2012, quando se licenciou do cargo para se candidatar à prefeita, embora, em 2008, quando também disputou o mesmo cargo, tenha se afastado e depois retornado à mesma função.

O então governador Confúcio Moura foi parceiro da administração
(Foto: Prefeitura de Jaru)

O período em que esteve à frente da APAE é considerado muito importante, pois, conforme descreve, foi uma oportunidade para demonstrar a capacidade administrativa, juntamente com os demais membros da diretoria da instituição.  Sônia relata que, durante o tempo em que permaneceu na direção da APAE de Jaru, em conjuntos com o corpo de profissionais, conseguiu fazer do estabelecimento uma referência no Estado de Rondônia. Segundo relata, “a prova maior foi o equilíbrio administrativo que teve como consequência importantes conquistas como a reforma da escola, compra de veículos, além do pioneirismo no uso de ecoterapia, que tem como base a realização de fisioterapia com o uso de cavalos”.

 Sônia Cordeiro durante a inauguração do prédio da Promotoria de
Jaru  (Foto: Acervo Pessoal de Sônia Cordeiro)

A trajetória de Sônia Cordeiro na política começou em 2004, quando ela disputou o cargo de vereadora no município de Governador Jorge Teixeira (RO), onde obteve 93 votos, mas não alcançou o resultado esperado. Em seguida, no ano de 2008, Sônia disputa a eleição municipal em Jaru (RO), onde concorre pela primeira vez ao cargo de prefeita e, apesar da expressiva votação, não conseguiu lograr êxito. Na ocasião, Sônia alcançou 8.275 votos (28% dos votos válidos) e acabou não sendo eleita, em uma eleição onde concorreu com cinco candidatos. Em 2010, Sônia colocou novamente o seu nome à disposição do eleitorado e disputa o cargo de deputada estadual. Embora tenha conseguido 6.608 votos, a mesma não foi eleita. Persistente na esfera política, no pleito seguinte Sônia estava novamente com a campanha nas ruas. Em 2012, ao disputar o cargo de prefeita pela segunda vez em Jaru, Sônia Cordeiro é eleita com 14.027 votos (49,08%). O segundo colocado, Jean Carlos dos Santos alcançou 9.868 votos (34,53%) e o terceiro, Flávio Correia, conseguiu 4.683, o equivalente a 16,39% dos votos válidos.

Em 2011, com a morte do então deputado federal do Partido dos Trabalhadores Eduardo Valverde no dia 11 de março daquele ano, Sônia passou a responder pelo partido de forma interina. Já em 2012, de forma consensual foi eleita como presidente estadual do PT em Rondônia. Entre 2014 e 2015, Sônia Cordeiro atuou como presidente da Associação Rondoniense de Municípios (AROM) e na entidade representou o interesse dos 52 municípios do Estado. Além disso, antes de ser prefeita, Sônia chegou ao posto de vice-presidente das APAE’s no Estado de Rondônia, atuando assim em várias esferas.  

A implantação do SENAC teve o apoio da gestão da
prefeita Sônia Foto: Acervo Pessoal de Sônia Cordeir
o

Durante o seu mandato (que foi de 1º de janeiro de 2013 a 21 de dezembro de 2015), Sônia realizou diversas ações, muitas delas com o apoio do Governo do Estado e outras graças a emendas parlamentares. A implantação de um campus do Instituto Federal de Rondônia em Jaru, por exemplo, só foi possível em virtude da doação do antigo terreno da Expoaja que sua gestão fez ao IFRO. As unidades locais do SENAC e SENAI também só vieram para Jaru após a concretização do apoio do município no mesmo caminho. Dentro do campo educacional, a doação de 10 alqueires de terra para que a Escola Família Agrícola (EFA) Dom Antônio Possamai pudesse construir o seu prédio, cedência de equipamentos à EFA, além da abertura da estrada que liga o estabelecimento de ensino à RO-463 (antiga Linha 623), foi imprescindível para que a EFA pudesse ter o mínimo de condições de iniciar as suas atividades.

Prefeita Sônia Cordeiro (à esquerda) e o governador Confúcio Moura na
assinatura da ordem de serviço das obras de saneamento básico no dia 20 de
 março de 2015 (Foto: Elias Gonçalves)

Quando o assunto é a zona urbana do município de Jaru, Sônia Cordeiro cita a desapropriação de áreas que alagavam durante o período chuvoso para a construção da Praça da Baixada, obra feita com parceria do Estado e contrapartida da Prefeitura. Em quase três anos de mandato foram feitos mais de 80 km de asfalto, regularização do Setor Chacareiro, concurso público, convênio para socialização de apenados, implantação do projeto Bombeiro Mirim, arborização de parte da zona urbana com ipês, reformas e ampliações em escolas e Unidades Básicas de saúde (UBS), implantação do PROMED para garantir mais recursos diretamente na conta das escolas municipais, criação do Programa Municipal de Alimentação Escolar (PMAE), compra de ambulâncias, regularização da parte urbana dos distritos de Bom Jesus, Santa Cruz da Serra e Tarilândia, implantação de rede computadorizada (interfaces) com todas as secretarias, monitoramento de pontos estratégicos da cidade em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Jaru (ACIJ), entre outras ações. 

O projeto Bombeiro Mirim foi realidade na gestão
(Foto: Acervo Pessoal de Sônia Cordeiro)

Durante os dois primeiros anos de mandato, a gestão de Sônia Cordeiro teve um relacionamento harmônico com o poder legislativo. Projetos do Executivo que dependiam da apreciação dos vereadores foram aprovados pela Câmara Municipal e as ações que a gestão queria implantar no município conseguiram ir adiante. Todavia, após vir a público um suposto pedido de propina do presidente da Câmara, Valdecir Orlandini, o clima se tornou insustentável. Em 20 de maio de 2015, Orlandini foi preso pela Polícia Civil em flagrante, acusado de receber propina. Pouco mais de um mês antes, em 06 de abril do mesmo ano, a Câmara chegou a apreciar o afastamento da prefeita em virtude de supostas práticas ilegais em um leilão de bens inservíveis. Porém, mesmo com o placar desfavorável de 8 a 7, Sônia foi mantida no cargo, pois seriam necessários dez votos para afastá-la e, com isso, a oposição não conseguiu o que queria naquele momento. Em 2015, além da presidência do legislativo local, havia suspeita de que outros parlamentares mirins teriam pedido propina à prefeita e quatro deles foram investigados pela Polícia Civil por estarem na lista de possíveis destinatários de uma hipotética solicitação de vantagens indevidas.

Sônia em visita ao gabinete do então  deputado federal Padre
 Ton (Foto: Acervo Pessoal de Sônia Cordeiro)
Entretanto, Sônia Cordeiro não terminou o mandato para qual fora eleita em 07 de outubro de 2012, pois a mesma acabou sendo afastada em setembro de 2015 e depois cassada de forma definitiva no dia 21 de dezembro daquele ano pela Câmara Municipal de Jaru. À época, a cassação teve o placar de 11 a 1, em virtude da prefeita ser suspeita de não ter seguido totalmente as regras que regiam o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a Prefeitura de Jaru e o Ministério Público. Pelo que havia sido acordado, a licitação dos ônibus escolares deveria exigir até 12 anos de tempo máximo de uso da frota que faria o transporte escolar. Acontece que o município fez todo o processo licitatório e a licitação acabou dando “deserta”, pois, nenhuma empresa apresentou veículos no período de utilização exigido.  A explicação da então prefeita foi que a licitação acabou sem êxito, pois nenhuma empresa possuía frota conforme descrito no certame. Além disso, não havia recurso próprio e nem federal, pois fugia da pactuação do certame do estado a tal exigência.

Os ipês-rosas em Jaru foram plantados na
gestão Sônia Cordeiro (Foto: Elias Gonçalves)

Sabe-se que é dever do município transportar a classe discente. Como não foi possível realizar de forma plena a licitação, houve uma mudança no período de utilização dos ônibus escolares para 16 anos. Com isso, a Câmara Municipal de Jaru acabou classificando o ato como uma suposta fraude e cassou o mandato da prefeita em duas ocasiões: na primeira delas Sônia alegou que teria havido cerceamento de defesa e a Justiça lhe deu causa ganha. Porém, a Câmara – onde, na época, a maioria dos parlamentares eram de oposição – cancelou a sessão que havia cassado a prefeita e lhe deu chances de defesa, entretanto o resultado já estava sacramentado e Sônia Cordeiro acabou perdendo o mandato em que fora legitimamente eleita. Sônia justifica que sua cassação foi injusta, uma vez que posteriormente acabou sendo inocentada da suposta fraude, o grande motivo que culminou com o afastamento definitivo do cargo para qual fora eleita por quase metade da população jaruense apta ao voto.


Perfil do vice-prefeito

Inaldo no dia da posse como
vice-prefeito de Jaru
(Foto: Elias Gonçalves)
Inaldo Pedro Alves nasceu no dia 07 de abril de 1961 no município de Ituiutaba, em Minas Gerais. Filho de Odilon Alves dos Santos e Irene Pedrosa dos Santos, Inaldo veio para Jaru em junho de 1995 e desde então exerceu várias funções no município, especialmente no setor agropecuário, quando, entre 2010 e 2011, esteve à frente da Cooperativa Agrorural de Jaru, a Cooaja e liderou as festividades do período. 

 No ramo político, disputou a Prefeitura em 2012 como candidato a vice-prefeito de Sônia Cordeiro de Souza e, juntos, obtiveram 14.027 votos. Em 25 de agosto de 2015, Inaldo tomou posse como prefeito devido ao afastamento da então prefeita Sônia Cordeiro, mas a gestora acabou sendo reconduzida ao cargo. Já em 22 de setembro do mesmo ano houve uma nova posse e, assim como ocorreu na anterior, Sônia conseguiu na Justiça, voltar ao cargo em que fora eleita. A posse definitiva de Inaldo como prefeito aconteceu em 21 de dezembro de 2015 após a Câmara Municipal cassar o mandato da prefeita Sônia Cordeiro pelo placar de 11 a 1. Inaldo concluiu o mandato em 31 de dezembro de 2016 e foi sucedido por João Gonçalves da Silva Junior. Desde então, Inaldo deixou a política e voltou à atividade empresarial.

               Resultado das eleições municipais em Jaru:
         Blog do Elias: Resultado das Eleições Municipais em Jaru