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Argentil Machado de França em 10 de
julho
de 2018 (Foto: Elias
Gonçalves)
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Clique aqui e conheça a história da educação em Jaru
Clique aqui e veja o resumo da vida literária do escritor Elias Gonçalves, o autor desse blog
Talento
é algo que pode ser perceptível ainda na infância, geralmente com influência de
pessoas próximas e com Argentil Machado de França, ou simplesmente França, o Filho do Sertão, como esse capixaba de
Ecoporanga gosta de ser chamado, seria apenas uma questão de destino. Ainda nos
primeiros anos de vida passou a residir, juntamente com os seus familiares, no
Estado do Paraná, onde estudou e trabalhou na lavoura, a forma de se referir ao
trabalho no campo com o plantio e colheita de arroz, feijão, milho, entre outros
alimentos produzidos na zona rural.
A
primeira influência que França guarda com exatidão em sua memória foi através
do avô João Calixto, um sanfoneiro que fazia “desafios” e, mesmo em meio a
improvisos, conseguia rimar como poucos, criar personagens e apresentar canções
que alegravam qualquer ambiente. A convivência diária com uma multiplicidade de
talentos fez com que o Filho do Sertão
seguisse adiante com a habilidade já existente no DNA familiar.
França
chegou ao Território Federal de Rondônia em 1973, onde foi assentado pelo Incra
em um lote rural na região da vila de Jaru. Em 1980, se mudou para a cidade
para tentar outro meio de vida e exerceu a função de vendedor após ser aprovado
em um concurso para o cargo. Tempos depois, França passou a exercer o ofício de
locutor na Rádio Jaru FM (94.1) em Jaru, ainda na década de 1980 e, com um
jeito peculiar, conquistou milhares de ouvintes.
O Velho Pintulino
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Velho Pintulino e
Domingos Viana durante
show feito
na linha 630 em Jaru
(Foto: Acervo do
Autor)
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Um
dos personagens de grande sucesso criado por França surgiu no meio radiofônico.
Trata-se de Velho Pintulino, um nordestino muito divertido, criativo e
brincalhão, fazendo com que Argentil Machado de França fizesse várias
apresentações em eventos. De alguma forma, o personagem acabou influenciando
França a escrever o primeiro livro no formato de literatura de cordel em um
futuro que lhe estava reservado, uma vez que a obra deixa evidente em sua capa
que se trata de algo produzido por Velho Pintulino. França explica que Velho
Pintulino surgiu em um almoço com Jair Domingos Viana, o Domingos Viana, profissional
bastante conhecido no rádio jaruense na década de 1990. Argentil gravou uma
vinheta interpretando o que seria um futuro personagem e Domingos Viana exibi-a
na rádio local. A repercussão foi bastante positiva e o personagem se tornou um
grande sucesso.
A primeira obra literária
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Capa do livro Esse Brasil Legal
escrito por França
em 1997 (Foto: Acervo do
Autor)
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O
livro Esse Brasil Legal lançado por
França no município de Jaru em 1997, com doze histórias em cordel vivenciadas
pelo escritor em sua trajetória pessoal e de outros momentos históricos do
Brasil. O título, segundo o próprio autor, trazia uma pitada de humor que lhe é
peculiar já que à época praticamente tudo era “legal” dependendo das
circunstâncias que permeavam um acontecimento e de quem tivesse envolvido.
Propositalmente a capa do livro foi feita de forma invertida e no lugar
convencional foi inserida a contracapa e vice-versa para indiretamente se
referir ao momento vivenciado pelo país.
Escritor e cantor: um
novo passo na carreira
A
produção do livro Esse Brasil Legal
em 1997, foi uma etapa que representou o “começo” de uma carreira promissora na
área artística. Porém, França continuou militando na arte, setor que o consagraria
de forma definitiva anos depois. Em 1999 grava o CD “Saudade do Pilão”, o
primeiro de uma sequência que aconteceria em um tempo vindouro. O 2º CD recebeu
o título “Só Bailão” e foi disponibilizado ao público no ano 2000. Até 2005,
quando gravou o sexto álbum musical, França era um dos mais requisitados
artistas na música sertaneja raiz dentro do contexto local. O terceiro CD foi gravado de forma solo e a
quarta produção recebeu o título “Sedução” e contou com a participação de Divas
Diogo, que também formou um dueto com França no sexto CD em 2005. Já no 5º CD
(2004) houve a formação da dupla França e Silva, o que possibilitou a diversos
cantores locais fazerem participação especial em várias obras fonográficas
gravadas pelo Filho do Sertão. Cantor, escritor, compositor – e outras
habilidades artísticas – Argentil Machado de França traz ainda em seu currículo
profissional a participação na dupla Mauro & França no período de 1985 a
1990, em um curto, porém expressivo, espaço de tempo.
Embora
a maior parte de suas gravações contasse com a participação de cantores
adultos, França também concedeu uma oportunidade à sobrinha Letícia à época com
apenas sete anos de idade a participação no CD “Pedindo Amor – Volume 3”. Assim
como muitos artistas jaruenses que se destacaram na década de 1980, França
conheceu José Aparecida da Silva, o saudoso radialista José Aparecido (1961 –
2014). O contato com José Aparecido ocorreu na extinta Casa Cultural de Jaru,
local destinado a inúmeros eventos culturais a partir da década de 1980 graças
a vários incentivadores, entre eles, Francisco Berto e Marlene Loira que atuou
como crítica no livro produzido por França.
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França ao ser entrevistado por
Elias Gonçalves
em 10 de julho de 2018 em Buritis
(Foto: Roberto Silva)
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Em 2002, França escreveu a história dos seringueiros na região amazônica, uma obra que narra em detalhes uma importante página da história regional e recebeu o título Os Seringueiros no Amazonas, mas a produção não chegou a ser lançada.
Em
02 de janeiro de 2006, França “deixou” o município de Jaru e fixou residência
em Buritis (RO). Faz-se necessário utilizar “aspas” na palavra “deixou” porque
na verdade o que houve foi apenas uma mudança no endereço postal. Jaru foi o
lugar em que ele fez muitos amigos, colocou em prática o talento que possui e
recebeu a reciprocidade do público que soube apreciar o seu dom. Foi em Jaru,
que o autodenominado Filho do Sertão
conheceu também Vicente de Souza Ramos (1935-2012), o poeta maranhense que,
assim como ele versava em cordel histórias do cotidiano com uma exatidão na
sequência dos fatos. Vicente Ramos era um grande amigo e atuou como corretor de
texto no livro Esse Brasil Legal
lançado em 1997.
Clique nos nomes abaixo e veja a história literária de cada um deles: