terça-feira, 29 de setembro de 2026

História de Jaru: Símbolos Municipais - Brasão, Bandeira e Hino

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Brasão original de Jaru
(Fonte: Câmara Municipal de Jaru)


A criação dos símbolos representativos do município de Jaru (Brasão e Hino) ocorreu através de um concurso realizado pela Prefeitura no período compreendido entre 27 de junho e 30 de agosto de 1985. O edital, datado de 27 de junho daquele ano, definiu que a premiação seria de Dois Milhões de Cruzeiros em cada modalidade. A Comissão Organizadora foi presidida por Sara Xavier dos Santos, sendo auxiliada pelos seguintes membros: Ilso Gomes Montin, Nathan Monte Raso Barbosa, Rosicler Meneguetti e Custódio Ferreira Filho.

À época do concurso, a Comissão Organizadora recebeu a inscrição de 42 brasões e 14 hinos. Em seguida, foi organizada uma exposição nas instalações da Câmara Municipal, facultando aos moradores a opção de prestigiar os trabalhos produzidos. A escolha do Brasão e do Hino de Jaru ocorreu em outubro de 1985 e os vencedores foram: Antônio Cândido da Silva (Hino) e Djalma Rodrigues Maimone (Brasão). A melodia do hino foi composta por Ednaldo da Silva Santos, 3º sargento e músico da 17ª Brigada de Infantaria de Selva.

Os símbolos municipais de Jaru foram instituídos pelo Projeto de Lei nº 035/85, de 24 de outubro de 1985. A apresentação aos munícipes ocorreu em 04 de novembro do mesmo ano.

Brasão

Djalma Maimone foi o vencedor do
concurso que criou o Brasão de Jaru
(Fonte: Acervo da Família)

O desenho definido pela comissão organizadora para ser o Brasão de Jaru apresentava traços semelhantes aos da Bandeira escolhida. A estrela e os ramos de café e cacau também estão presentes, mas o desenho produzido pelo autor Djalma Rodrigues Maimone apresenta outros elementos que fazem parte da riqueza histórica local.

Ao fundo há uma luz sob a forma de raios deslumbrantes que provém da estrela central do Brasão.  A parte central apresenta o contorno da cabeça de um indígena, último habitante antes da chegada do chamado homem branco. Dentro da cabeça do índio existe a estrela amarela no centro (representando o sol e o ouro). Mais abaixo, a BR 364, a ponte, o Rio Jaru e uma planta de seringueira em cada lado da margem do rio representando mais uma riqueza jaruense. Nas bordas do Brasão existem os ramos de café e cacau, símbolos da produção local. Logo abaixo, a data da lei que criou o município e ao centro, no sentido vertical, a espada de ouro representando a força, a garra, a determinação e a vontade de vencer da população local.

Bandeira

Professor Laércio Dias em foto
da década de 1980
(Fonte: Acervo do Autor)

O vencedor do concurso que definiu a bandeira de Jaru foi o professor Laércio Dias, primeiro diretor da escola estadual Capitão Silvio de Farias. O desenho escolhido para representar o município apresentava um escudo colocado sobre a Bandeira de Rondônia, uma vez que Jaru é um dos municípios do Estado e também por lembrar o destino de grandeza e nobreza. A estrela simboliza Jaru, brilhando no céu de Rondônia e se destacando entre as demais cidades do Estado.

Bandeira original de Jaru
(Fonte: Câmara Municipal de Jaru)

Os galhos de café e cacau contidos na bandeira de Jaru simbolizam as riquezas locais à época da realização do concurso, uma vez que o município se sobrepunha a muitos outros, sendo um dos maiores produtores de café e cacau em Rondônia. As cores da bandeira representam um propósito bem definido: azul (a abundância das águas e a beleza do céu); verde (riqueza vegetal: florestas e seringais); amarelo (riquezas minerais); branco (a vocação pacífica do jaruense, um povo que deseja paz para poder produzir mais e melhor). Também revela, segundo descreve o próprio autor, a pureza de propósitos e a firmeza de caráter de uma população que continua na luta e não desanima, ou seja, segue firme em seu objetivo de progresso. 

A Bandeira do município de Jaru foi criada durante a gestão do Prefeito, em cargo de comissão, Raimundo Nonato da Silva (1981-1983). Uma reportagem publicada na edição nº 14.182 do jornal Alto Madeira com data de 05 e 06 de dezembro de 1982, narrou a realização da solenidade de hasteamento em frente ao então prédio da prefeitura. Conforme informado pela publicação, a cerimônia ocorreu na manhã do dia 26 de novembro de 1982.

 Em princípio foi lida a descrição da Bandeira; explicados os seus significados em seguida foi hasteada pelo Professor Laercio Dias, autor do desenho que ganhou o concurso para a escolha da Bandeira do Município. O pavilhão foi escolhido através de concurso que se realizou em 07 de setembro deste ano [1982], porém, somente em 26 de novembro ela foi hasteada pela primeira vez. (ALTO MADEIRA, 05-06 de dezembro de 1982). Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=060160&pagfis=33047>. Acesso em: 01. Nov. 2021. 

As bandeiras municipais são inspiradas nas estaduais e, essas, por sua vez, na Bandeira nacional. Porém, o significado hoje atribuído às cores da bandeira, não foi assim em sua concepção original.

Em relação à Bandeira do Brasil é importante considerar que:

 O retângulo verde, que passou a representar nossa natureza, antes remetia à Casa de Bragança (a família de dom Pedro I). O amarelo, hoje símbolo da riqueza mineral do país, era a cor da Casa de Lorena (da arquiduquesa dona Leopoldina, esposa de dom Pedro I). E o círculo azul era a esfera armilar, também presente na bandeira portuguesa do Império. Agora, indica nosso céu estrelado. (SUPERINTERESSANTE, setembro de 2016).

Hino

Antônio Cândido da Silva, autor do Hino de Jaru
(Foto: Roni Carvalho)

Ao compor o hino de Jaru, Antônio Cândido da Silva considerou três fases distintas da história local: o indígena, o seringueiro e o migrante, com seus costumes e sociabilidades diferentes. Na primeira estrofe, o seringueiro é o elemento principal pela maneira, como sua presença, seu trabalho e determinação, conquistaram para a posteridade brasileira a região amazônica, especificamente Jaru. A sua história está inserida no município pela maneira sutil como soube conquistar e conviver com a floresta, suas lendas, perigos e desafios.

Hino de Jaru sendo destaque na página 07 da edição do jornal 

Alto Madeira publicada em 20 e 21 de outubro de 1985

(Fonte: Biblioteca Nacional)

A segunda estrofe destaca o indígena, primeiro habitante do lugar, cuja história, cultura e costumes levaram Cândido Mariano da Silva Rondon a dar ao rio o nome de uma das mais nobres tribos que habitavam a região: os Jarus. A estrofe destaca também a atuação de Rondon que, na função de estrategista dos sertões, ligou seu nome à região ao instalar na área mais uma de suas muitas estações telegráficas. A seguir, a letra do hino enfoca a importância do migrante, que descobre na terra a vocação do progresso. O estribilho (refrão) é reservado ao lavrador, o homem simples do campo, que traz no sangue o destino da terra.

A solenidade de apresentação dos símbolos municipais foi realizada pelo prefeito da época, Leomar José Baratella em 04 de novembro de 1985 na data em que o município comemorou o quarto aniversário, embora a data correta seja 16 de junho. O evento contou com uma expressiva participação popular, representantes do governador Ângelo Angelim, secretários municipais e os vencedores do concurso, que receberam das mãos do prefeito Baratella o prêmio divulgado pelo certame.

A escolha do hino representou um importante marco na construção da identidade de Jaru. Contudo, poucas pessoas tomaram conhecimento da letra e da música, principalmente, por não haver uma gravação profissional durante muitos anos.  Porém, em 2009, devido ao empenho da administração municipal, em conjunto com a professora Ciderli Santana Souza e membros da Secretaria Municipal de Esporte Cultura e Lazer (SEMCEL), o hino de Jaru foi oficialmente gravado com uma nova roupagem, mas preservando a sua originalidade. A gravação foi feita com a participação de Indianara Cazuza, Anildo da Costa e Walison Huan Castro.

A letra original do hino de Jaru é:

Forjado na bravura do herói
Que com denodo a selva conquistou
Na saga dos imensos seringais
Que o sonho de riqueza acalentou
Da epopeia simples dos jarus
Na grandeza do rio eternizado
Que o gesto de justiça de Rondon
Há de fazê-lo, sempre lembrado. 

Jaru tem o destino que o migrante quis
Vendo da terra, brotar o fruto,
Do trabalho de um povo feliz.


Fazendo no trabalho o seu destino
Um novo herói constrói neste sertão,
Na crença de quem sabe da riqueza
A vicejar da força deste chão.
De um projeto, um dia implantado,
Nesta terra de esperança mil,
Nasceu Jaru, celeiro de Rondônia
Com o homem forte deste Brasil.


Acompanhe abaixo o hino de Jaru:



domingo, 27 de setembro de 2026

Literatura Jaruense: Cleber Mota

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Clique aqui e veja o resumo da vida literária do escritor Elias Gonçalves, o autor desse blog

O escritor Cleber Mota em registro feito
em agosto de 2015
(Foto: Acervo do Autor)

Sexto filho do casal Deolinda Pereira Mota e João Teixeira Mota, Cleber Pereira Mota reside na zona rural do distrito de Tarilândia e mesmo em meio às dificuldades e falta de oportunidade, tomou gosto pela leitura desde pequeno lendo com frequência os livros colecionados pelo pai e depois passando a ser colecionador de obras de romances e literatura de cordel. Dessa forma, através do contato com a leitura, iniciou-se no ramo literário e, posteriormente, criou sua primeira história em cordel.

Embora sendo dono de um talento grandioso já com os trabalhos em mãos, a falta de apoio e incentivo limitava o grande sonho de ver seu livro publicado. Inúmeras portas foram fechadas, mas o poeta não desistiu e mesmo com poucas condições financeiras, conseguiu com força própria, no ano de 2011, lançar seu primeiro livro Dois Corações à Face do Destino, história que conta um romance entre um rapaz branco e uma jovem indígena. O enredo aborda também a importância da família e o poder de superação do ser humano, obra digna de um filme. No mesmo projeto, Mota apresenta a história de Madalena, A Jovem que Nunca Conheceu o Amor. Os dois temas surpreenderam e encantaram o público, com isso a pequena edição foi vendida em 60 dias, mas ainda não era o bastante.

O primeiro livro de Cleber Mota Dois
 Corações à Face do Destino
foi lançado em 2011
 no distrito de Tarilândia
(Foto: Acervo do Autor)

O livro Madalena,
a Jovem que Nunca Conheceu o Amor
  lançado
 por Cleber Mota
 com a atriz Érica França na capa
(Foto: Acervo do Autor)

 Pedaços de Lembranças foi lançado
pela Editora Multifico
(Foto: Acervo do Autor)

Madalena, A Jovem que Nunca Conheceu o Amor se trata de um romance onde as rimas hora emparelhadas, hora alternadas, sempre ironicamente, formam uma sonoridade agradável aos ouvidos do leitor ou ouvinte. O tempo e o espaço da narrativa são capazes de fazer quem está lendo viajar em um contexto do final do Absolutismo em algum cenário europeu. O ambiente da nobreza da nobreza é um local onde a personagem que dá nome à obra se destaca como artista, em uma personificação da arte coreográfica, o que enriquece o livro como um todo. 

Capa do 4º  livro lançado em 07 de outubro
de 2023 (Foto: Acervo do Autor)

O poeta às vezes encontrava pelo caminho pessoas que alimentava cada vez mais o seu desânimo com críticas acirradas, mas a essência de seu talento falava mais alto. Então Mota apostou novamente em sua segunda obra, um livro de poesias românticas com o nome Pedaços de Lembranças, produzido e lançado pela editora Multifoco do Rio de Janeiro. Apesar da falta de apoio e reconhecimento das autoridades locais, o autor novamente surpreendeu e emocionou os leitores, mesmo sabendo que o século XXI é marcado pela tecnologia e a leitura convencional de um livro físico já não faz parte do cotidiano de inúmeros brasileiros.

 Cleber Mota possui um perfil talentoso e criou nas linhas de uma folha de papel a magia de contar sua própria história, produzindo e reproduzindo meios de manter-se vivo como indivíduo e espécie através de seu trabalho poético. Amigos do escritor relataram ao autor que “pessoas como ele têm o poder não só de criar beleza na aridez da sociedade ainda pouco leitora, mas também de reafirmar o amor em nós mesmos. Suas palavras reacenderam um forte desejo de seguir a diante, não olhando para as intempéries que se apresentam no meio do caminho”. 
O ator Clemerson Henrique Moreira Mota 
 (sobrinho de Cleber Mota)
e a atriz Érica França  que representaram um
 casal na capa do livro Apenas por um Milagre
(Foto: Acervo do Autor)
Aguardado com muita expectativa, em 07 de outubro de 2023, Cleber Mota lança seu quarto livro nas dependências da quadra poliesportiva da escola estadual Pedro Vieira de Melo. O lugar onde aconteceu a solenidade tem um significativo especial para o escritor, pois foi nesse local que o mesmo produziu os primeiros textos quando ainda era aluno da instituição e não parou mais. A obra recebeu o título Apenas Por Um Milagre e foi um sucesso entre os leitores que apreciam uma boa história com rimas entrelaçadas e reviravoltas no decorrer dos acontecimentos. 
Muito querido pelo público que conhece do trabalho do escritor, o livro Madalena, a Jovem Que Nunca Conheceu o Amor, ganhou uma segunda edição, que foi lançada junto com Apenas Por Um Milagre no dia 07 de outubro. Nessa nova tiragem, a obra também fez um grande sucesso, superando até as mais otimistas previsões. 

Capa da segunda edição do livro
Madalena, a Jovem que Nunca
Conheceu o Amor
, lançado em
07 de outubro de 2023
(Foto: Acervo do Autor)
Conforme relata, o livro, que conta com 91 páginas, foi uma nova etapa em sua brilhante carreira artística. Seu texto é rimado de forma descontraída e apresenta uma narrativa tipo dos cordéis, aliás, uma marca registrada do autor. Assim sendo, estão evidentes na obra, os valores morais, cristãos, as noções de fé, amor, devoção, lealdade, além de sentimentos humanos como: ciúme, individualismo e a falta de cumplicidade. Portanto, diz respeito a uma história rica em expressões significativas com um final surpreendente. 

Em 23 de outubro de 2023, pouco mais de duas semanas após o quarto lançamento, Cleber Mota foi homenageado com uma Moção de Aplausos na Câmara Municipal de Jaru, em uma indicação feita pela vereadora Sol de Verão e aprovada pelos demais parlamentares do poder legislativo. A iniciativa teve como objetivo reconhecer a relevância do poeta no contexto literário jaruense, um dos nomes locais a produzir histórias em cordel, sendo o único no estilo citado na época da homenagem. Além de Cleber Mota, apenas Vicente de Souza Ramos (1935-2012) e Argentil Machado de França – que não reside mais em Jaru – tinham o dom de produzir narrativas no estilo cordelista.

Dia 23 de outubro de 2023 após ser agraciado
com a Moção de Aplausos da Câmara Municipal
de Jaru (Foto: Acervo do Autor)

O livro Apenas Por Um Milagre foi um marco na carreira do escritor. Por meio dessa obra, Cleber Mota chegou a vários municípios rondonienses, além de Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), à Região Sul do país, bem como em parte do Acre. Tal sucesso se deve, em parte, ao apoio do ex-professor do poeta, Élcio Rodrigues, que mesmo ainda lecionando na escola estadual Pedro Vieira de Melo, no distrito de Tarilândia, segue apoiando Mota naquilo que está ao seu alcance e possibilidades. 

Clique nos nomes abaixo e veja a história literária de cada um deles:

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Literatura Jaruense: Argentil Machado de França

Argentil Machado de França em 10 de julho

 de 2018 (Foto: Elias Gonçalves)

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 Talento é algo que pode ser perceptível ainda na infância, geralmente com influência de pessoas próximas e com Argentil Machado de França, ou simplesmente França, o Filho do Sertão, como esse capixaba de Ecoporanga gosta de ser chamado, seria apenas uma questão de destino. Ainda nos primeiros anos de vida passou a residir, juntamente com os seus familiares, no Estado do Paraná, onde estudou e trabalhou na lavoura, a forma de se referir ao trabalho no campo com o plantio e colheita de arroz, feijão, milho, entre outros alimentos produzidos na zona rural.

A primeira influência que França guarda com exatidão em sua memória foi através do avô João Calixto, um sanfoneiro que fazia “desafios” e, mesmo em meio a improvisos, conseguia rimar como poucos, criar personagens e apresentar canções que alegravam qualquer ambiente. A convivência diária com uma multiplicidade de talentos fez com que o Filho do Sertão seguisse adiante com a habilidade já existente no DNA familiar.

França chegou ao Território Federal de Rondônia em 1973, onde foi assentado pelo Incra em um lote rural na região da vila de Jaru. Em 1980, se mudou para a cidade para tentar outro meio de vida e exerceu a função de vendedor após ser aprovado em um concurso para o cargo. Tempos depois, França passou a exercer o ofício de locutor na Rádio Jaru FM (94.1) em Jaru, ainda na década de 1980 e, com um jeito peculiar, conquistou milhares de ouvintes.

O Velho Pintulino

Velho Pintulino e Domingos Viana durante

 show feito na linha 630 em Jaru

(Foto: Acervo do Autor)

Um dos personagens de grande sucesso criado por França surgiu no meio radiofônico. Trata-se de Velho Pintulino, um nordestino muito divertido, criativo e brincalhão, fazendo com que Argentil Machado de França fizesse várias apresentações em eventos. De alguma forma, o personagem acabou influenciando França a escrever o primeiro livro no formato de literatura de cordel em um futuro que lhe estava reservado, uma vez que a obra deixa evidente em sua capa que se trata de algo produzido por Velho Pintulino. França explica que Velho Pintulino surgiu em um almoço com Jair Domingos Viana, o Domingos Viana, profissional bastante conhecido no rádio jaruense na década de 1990. Argentil gravou uma vinheta interpretando o que seria um futuro personagem e Domingos Viana exibi-a na rádio local. A repercussão foi bastante positiva e o personagem se tornou um grande sucesso.

A primeira obra literária

Capa do livro Esse Brasil Legal escrito por França 

em 1997 (Foto: Acervo do Autor) 

O livro Esse Brasil Legal lançado por França no município de Jaru em 1997, com doze histórias em cordel vivenciadas pelo escritor em sua trajetória pessoal e de outros momentos históricos do Brasil. O título, segundo o próprio autor, trazia uma pitada de humor que lhe é peculiar já que à época praticamente tudo era “legal” dependendo das circunstâncias que permeavam um acontecimento e de quem tivesse envolvido. Propositalmente a capa do livro foi feita de forma invertida e no lugar convencional foi inserida a contracapa e vice-versa para indiretamente se referir ao momento vivenciado pelo país.

Escritor e cantor: um novo passo na carreira

A produção do livro Esse Brasil Legal em 1997, foi uma etapa que representou o “começo” de uma carreira promissora na área artística. Porém, França continuou militando na arte, setor que o consagraria de forma definitiva anos depois. Em 1999 grava o CD “Saudade do Pilão”, o primeiro de uma sequência que aconteceria em um tempo vindouro. O 2º CD recebeu o título “Só Bailão” e foi disponibilizado ao público no ano 2000. Até 2005, quando gravou o sexto álbum musical, França era um dos mais requisitados artistas na música sertaneja raiz dentro do contexto local.  O terceiro CD foi gravado de forma solo e a quarta produção recebeu o título “Sedução” e contou com a participação de Divas Diogo, que também formou um dueto com França no sexto CD em 2005. Já no 5º CD (2004) houve a formação da dupla França e Silva, o que possibilitou a diversos cantores locais fazerem participação especial em várias obras fonográficas gravadas pelo Filho do Sertão. Cantor, escritor, compositor – e outras habilidades artísticas – Argentil Machado de França traz ainda em seu currículo profissional a participação na dupla Mauro & França no período de 1985 a 1990, em um curto, porém expressivo, espaço de tempo.

França ao ser entrevistado por Elias Gonçalves

em 10 de julho de 2018 em Buritis

(Foto: Roberto Silva)

Embora a maior parte de suas gravações contasse com a participação de cantores adultos, França também concedeu uma oportunidade à sobrinha Letícia à época com apenas sete anos de idade a participação no CD “Pedindo Amor – Volume 3”. Assim como muitos artistas jaruenses que se destacaram na década de 1980, França conheceu José Aparecida da Silva, o saudoso radialista José Aparecido (1961 – 2014). O contato com José Aparecido ocorreu na extinta Casa Cultural de Jaru, local destinado a inúmeros eventos culturais a partir da década de 1980 graças a vários incentivadores, entre eles, Francisco Berto e Marlene Loira que atuou como crítica no livro produzido por França.

Em 2002, França escreveu a história dos seringueiros na região amazônica, uma obra que narra em detalhes uma importante página da história regional e recebeu o título Os Seringueiros no Amazonas, mas a produção não chegou a ser lançada. 

Em 02 de janeiro de 2006, França “deixou” o município de Jaru e fixou residência em Buritis (RO). Faz-se necessário utilizar “aspas” na palavra “deixou” porque na verdade o que houve foi apenas uma mudança no endereço postal. Jaru foi o lugar em que ele fez muitos amigos, colocou em prática o talento que possui e recebeu a reciprocidade do público que soube apreciar o seu dom. Foi em Jaru, que o autodenominado Filho do Sertão conheceu também Vicente de Souza Ramos (1935-2012), o poeta maranhense que, assim como ele versava em cordel histórias do cotidiano com uma exatidão na sequência dos fatos. Vicente Ramos era um grande amigo e atuou como corretor de texto no livro Esse Brasil Legal lançado em 1997.

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