domingo, 30 de agosto de 2026

Histórico da educação em Jaru

Elias Gonçalves Pereira

Este texto em edição e pode ser alterado a qualquer momento

O início da educação pública

Prédio da Escola Isolada São João Bosco na década de 1980
(Foto: Teófilo Lourenço de Lima)

O processo de ensino no espaço territorial jaruense existe há muito tempo, mas a sua oficialização remonta aos anos 1970, quando foi implantada uma das primeiras unidades escolares que se tem notícia. Registros apontam como sendo a Escola Isolada São João Bosco, instituição construída nos limites geográficos do hoje município, quando ainda da extensão do Projeto Integrado de Colonização Ouro Preto, criado em 19 de junho de 1970.

A obra foi concluída em dezembro de 1970 e inaugurada nos primeiros dias de 1971, embora sua criação tenha ocorrido pelo Decreto nº 589, publicado em 21 de julho de 1970, como escola pertencente ao município de Porto Velho, uma vez que, até então, só existiam duas cidades no Território Federal de Rondônia: Porto Velho e Guajará-Mirim. Uma das possíveis razões para a utilização do termo “isolada” seria devido à distância dos centros urbanos, o que ocasionava uma falta de apoio direto à educação ministrada e o outro motivo seria pelo fato de possuir apenas uma sala de aula, embora a maioria das escolas criadas na época utilizassem a terminologia.

A Escola Isolada São João Bosco foi construída em alvenaria com recursos do Ministério da Educação. À época de sua construção tinha a coloração branca na parte interna e externa com o letreiro “Escola Isolada São João Bosco” na cor azul. As janelas eram vermelhas, parte em veneziana – de madeira e parte em vitrô. As portas tinham as mesmas características das janelas estando no fundo das instalações. Além da sala de aula, havia a cozinha, dois banheiros, fogão, pia e armário. Fora a cozinha, todas as instalações da escola eram forradas. Havia também energia elétrica oriunda de uma fazenda existente no seringal. Na parte da frente da escola foi erguido um mastro para serem colocadas as bandeiras, possibilitando assim a realização de eventos solenes no próprio local de funcionamento da instituição.

Localizada à margem direita da BR 364 no sentido Jaru – Ouro Preto do Oeste, a instituição foi construída durante o governo do Coronel João Carlos Marques Henrique Neto no Território Federal de Rondônia. À época, quem estava à frente da Secretaria de Educação e Cultura (SEC) era a professora Marise Castiel. A primeira professora da Escola São João Bosco foi Odaleia V. A. Lima que já residia no Seringal Curralinho que existia nas proximidades. Até 1976, a escola foi diretamente ligada ao município de Porto Velho e, em seguida, até 1978, passou a pertencer a Ji-Paraná. Com a definição dos limites geográficos da vila de Jaru pertencendo a Ariquemes na condição de distrito, a escola acompanhou também essa alteração. Clique aqui e conheça a história de Marise Castiel, segundo publicação feita pelo site Gente de Opinião em 2018 por ocasião do centenário da pioneira da educação.

São João Bosco
(Fonte: Wikipédia)
Devido ao aumento no quantitativo de alunos, em 11 de fevereiro de 1973, foi a vez do estabelecimento de ensino receber a professora Olga Ida Denny. Por várias vezes, a escola recebeu o título de “primeira” e “única” da vila de Jaru. Em 1974, foi implantado a 4ª Série do 1º Grau (hoje equivalente ao 5º ano do ensino fundamental). A escola estava localizada a aproximadamente 18 km do perímetro urbano de Jaru e a um km da divisa com Ouro Preto do Oeste. Além disso, possuía apenas uma sala de aula que media 48 m². Há ainda registros que apontam os professores Marlene Muniz, Odilene de Andrade Lima e Souza, Olga Ida Denny e Francisco N. da Silva como docentes que também lecionaram no estabelecimento. O nome da instituição é uma homenagem a João Melchior Bosco (1815-1888), conhecido como São João Bosco e se trata de um sacerdote italiano Católico pertencente a Congregação dos Salesianos. Ele foi beatificado em 02 de junho de 1929 pelo Papa Pio XI e canonizado em 1º de abril de 1934. 

 O processo de tombamento de uma instituição  

O professor Teófilo fez o
trabalho de levantamento que
culminou com o reconhecimento
da Escola São João Bosco 
como Patrimônio Histórico
(Foto: Acervo do autor)

Um levantamento elaborado pelo professor, escritor e historiador, Teófilo Lourenço de Lima na década de 1980 culminou com o reconhecimento da Escola Isolada São João Bosco como Patrimônio Histórico para efeitos de Tombamento. A decisão entrou em vigor por meio da Lei Municipal 073/GP/87, de 27 de outubro de 1987. De autoria do prefeito da época, Leomar José Baratella, a referida lei traz em seu prólogo a seguinte afirmação: “Declara como patrimônio histórico do município de Jaru, para efeitos de tombamento, a Escola Isolada São João Bosco, localizada na área rural do município e dá outras providências”. Após o parecer favorável do Poder Legislativo, o projeto foi aprovado pela Câmara Municipal e entrou em vigor mediante a assinatura do Executivo Municipal.

A mensagem do Executivo que foi enviada à Câmara, apresentou, entre outras razões, que a instituição foi a terceira de uma sequência de três estabelecimentos de ensino edificados pelo Governo do Território Federal de Rondônia com recursos provenientes do Ministério da Educação, através da Divisão de Ensino Territorial.  O texto enviado ao legislativo ressaltou que seria “o primeiro passo histórico no resgate, preservação e valorização do passado”. A respeito da histórica local, a respectiva lei buscou preservar “o pioneirismo daqueles que antecederam” os moradores locais, prestando assim uma relevante homenagem a pessoas que ajudaram no processo histórico jaruense.

Maria Emília do Rosário
como Secretária de Educação
em registro feito em 2021
(Fonte: Portal RM)

A Comunicação Interna (CI) nº 259/86, de autoria da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec), com data do dia 15 de setembro de 1986 e assinada pela então Secretária Municipal de Educação e Cultura, Maria Emília do Rosário, definiu teto de gastos a ser utilizado no processo de restauração como sendo no máximo CZ$ 80.000 (Oitenta Mil Cruzados). Após a realização do processo licitatório, a empresa vencedora foi a firma Ezequias S. Borges, por ser considerada a única a apresentar a proposta para a execução do serviço, sendo à época pelo valor de CZ$ 79.778,00 (setenta e nove mil e setecentos e setenta e oito Cruzados). O contrato foi assinado em 15 de outubro de 1986 tendo um prazo de execução de 45 dias. Em seguida, a Portaria 003/GP/87, de autoria do prefeito Baratella, designou a comissão responsável pela obra: Walnery Queiroz Monteiro, Sônia Maria de Freitas Andrade e Maria Emília do Rosário. A obra foi oficialmente recebida pela comissão em 09 de fevereiro de 1987. Clique aqui e veja mais fotos de escolas antigas de Jaru. 

 Outras escolas públicas são criadas em Jaru

Escola Plácido de Castro em registro feito
no dia 13 de dezembro de 2006
(Foto: Elias Gonçalves)

 Ainda na década de 1970, a vila de Jaru é contemplada com um estabelecimento de ensino no espaço que seria a parte urbana da localidade.  Criada pelo Decreto nº 589, de 29 de abril de 1970 (o mesmo da Escola Isolada São João Bosco), a escola Plácido de Castro começou a funcionar em 1973 no prédio do Incra, próximo ao lugar onde, em 1985, se instalou a escola Olga Dellaia. Seus fundadores são Clara Batista de Andrade e Maria Anna Sila Costa, além da aprovação da então Secretária de Educação, Marise Castiel. A primeira diretora da instituição foi a professora Valdivina Rosa de Jesus e Pinho (1947-2025), eleita como vereadora na eleição municipal de 1982, onde exerceu a função de Presidente da Câmara em Jaru no período de março a agosto de 1983.

José Plácido de Castro (1873-1908)
Fonte: Academia de Letras dos
Militares da Paraíba
Veja aqui a publicação original

A escola Plácido de Castro obteve autorização de funcionamento do ensino de 1º Grau em 21 de agosto de 1978. A autorização do – hoje extinto – curso de Magistério habilitava profissionais para a atuação docente e ocorreu em 1979. A formação de Técnico em Contabilidade com um nível de 2º Grau (equivalente ao ensino médio), foi oficializada em 1987, por meio da Portaria 105/GAB/SEDUC. A escola também ofereceu o Pré-Escolar, em conformidade com a Resolução 65/88.

Após as suas instalações serem construídas em um novo local, situado à rua Plácido de Castro nº 2648, esquina com a – hoje – Avenida Dom Pedro I, a escola alterou o seu endereço e ampliou o público atendido. O nome da instituição é uma homenagem ao gaúcho José Plácido de Castro (1873-1908), herói da Revolução Acreana e um dos personagens históricos brasileiros.

Joaquim Nabuco
(Fonte: Wikipédia)

Também na década de 1970, começam a funcionar outros estabelecimentos de ensino na vila de Jaru. Em 1976, foi a vez da escola Joaquim Nabuco (localizada no km 25 da Linha 632), em homenagem a Joaquim Aurélio Nabuco de Araújo (1849-1910), sendo um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, além de ter sido Diplomata e Historiador, entre outras funções. Já em 1978, a Graça Aranha (Linha 628, km 18), iniciou as suas atividades, sendo ambas fechadas posteriormente devido ao reduzido número de alunos. O nome da instituição foi um uma forma de se lembrar a memória de José Pereira da Graça Aranha (1868-1931), que, além de escritor e juiz.

José de Alencar
(Fonte: Wikipédia)

Embora tenha começado a atender a sua clientela em 1975, a – hoje extinta – Escola José de Alencar teve o seu Decreto de Criação de nº 9.220, publicado em julho de 1978, sendo, à época, situada à Linha 610, Km 20. O nome do estabelecimento traz à memória José Martiniano de Alencar (1829-1877), que, entre outros cargos, exerceu a função de jornalista, advogado e escritor. Em 1.998, a instituição se tornou Escola Polo, pela necessidade de atender a clientela de alunos de 1ª a 8ª séries (hoje equivalente ao ensino do 1º ao 9º ano do ensino fundamental). Em 2.004, a escola foi transferida para o Projeto – hoje distrito – Bom Jesus, no prédio do Centro Técnico Administrativo (CTA), até ser fechada devido à pequena quantidade de estudantes matriculados.

JK em foto oficial de 1956
(Fonte: Wikipédia)

Durante o ano de 1981, foram criados outros estabelecimentos de ensino que se tornaram históricos no – naquele momento ainda – distrito de Jaru. Em 14 de janeiro do respectivo ano ocorre a criação da escola municipal de 1º Grau Juscelino Kubitschek (JK), situada à Linha 617, km 12, zona rural de Jaru. O nome é uma homenagem ao ex-presidente da República Federativa do Brasil Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976). A instituição foi criada através do decreto 123/81, de 14 de janeiro de 1981, com o objetivo de atender as reivindicações da população que habitava a região. A doadora do terreno que serviu de base para as instalações da escola foi a senhora Maria Graciana, tendo ainda como primeira professora na unidade escolar, a senhora Rosita Muniz de Oliveira.

Creuza Antônia
(Foto: Acervo da
Família)
Em 14 de abril de 1981, foi criada a escola Frei Henrique de Coimbra com o intuito de atender a classe discente que residia à Linha 634. A nomenclatura traz à memória o bispo português Henrique Soares de Coimbra (cerca de 1465-1532), responsável por celebrar a primeira missa católica no Brasil. Porém, pelo mesmo motivo de outras escolas que tiveram o número de alunos reduzido, o estabelecimento de ensino teve as suas portas fechadas no fim do ano de 2017. Ainda no referido processo de fechamento, as atividades educacionais também foram suspensas na escola municipal Creuza Antônia, criada pelo Decreto nº 2665/GP/99, de 18 de agosto de 1999. A instituição, localizada à Linha 612, teve a sua criação à época em homenagem à moradora da localidade, Creuza Antônia de Menezes (1936-1998).

Silvio Gonçalves de Farias
(Fonte: Incra)

Frente da Escola Capitão Silvio em 2002
(Foto: Acervo do autor)
O ano de 1981 reservou ainda para o então distrito de Jaru outra unidade escolar. Trata-se da escola de 1º e 2º Graus, Capitão Sílvio de Farias. A instituição criada por meio do Decreto 1121/80, através de uma solicitação da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec) de Ariquemes. O nome da escola é uma homenagem a Sílvio Gonçalves de Farias (1923-1978), Capitão do Exército e pioneiro no Território Federal de Rondônia. Ainda em 1981, por meio do Decreto 1231, de 14 de abril, são criadas no então Núcleo Urbano de Apoio Rural (NUAR) Theobroma as escolas Papa Paulo VI (em homenagem ao Papa de mesmo nome que viveu entre 1897 e 1978) e Primavera que lembra a estação das flores. 
Prédio da Escola Primavera na década de 1980
Fonte: Blog Memória Theobromense
Em 27 de novembro de 1981, o documento nº 153/81-CTE/RO autorizou o funcionamento da escola Capitão Silvio até 1983, permitindo o 1º Grau de 1ª a 8ª Série e o 2º Grau na modalidade Magistério.  
Escola Papa Paulo VI
Fonte: Gráfica Opção

No ano de 1991, o Magistério foi extinto na instituição, sendo substituído pelo Colegial, posteriormente substituído pelo Ensino Médio normal. Em 2017, a escola estadual Capitão Silvio entrou em uma nova era educacional com a implantação do ensino em tempo integral no estabelecimento de ensino por meio da Lei Complementar nº 940, de 17 de abril de 2017. A Lei, sancionada pelo então governador Confúcio Moura, instituiu o Programa Escola do Novo Tempo no âmbito do Estado de Rondônia em dez unidades escolares. Inicialmente a instituição atendia apenas ao Ensino Médio, mas, posteriormente, passou a atender também o Ensino Fundamental II (6º ao 9º Ano).

Dona  Leopoldina
(Fonte: Wikipedia)

Raimundo Cantanhêde
foi nome de escola em
Jaru
(Foto: Acervo do autor)
O dia 11 de abril de 1983 representa um importante marco na educação jaruense. Nessa data, de acordo com o Decreto Estadual nº 1025, 40 escolas são criadas no município de Jaru. Muitas delas foram extintas, entre elas, a Escola Dona Leopoldina, criada no referido dia pelo Governo do Estado e fechada pela Prefeitura de Jaru em 2013, cujo nome homenageia Maria Leopoldina da Áustria (1797-1826), esposa de Dom Pedro I.  Entre as instituições que passaram a funcionar de forma plena pelo respectivo documento, em 2026, existem três delas: Marechal Cordeiro de Farias (Linha 619), uma lembrança de Osvaldo Cordeiro de Farias (1901-1981), militar e político brasileiro. Pelo mesmo texto, foram criadas Costa Junior (posteriormente em espaço territorial pertencente ao município de Governador Jorge Teixeira), cujo nome é de origem desconhecida. Há também no referido decreto, a escola Raimundo Cantanhêde em homenagem ao pioneiro local Raimundo Lima Cantanhêde (1921-1981), antigo proprietário do Seringal Setenta. Porém, pelo Decreto nº 24.802, de 17 de fevereiro de 2020, a referia unidade escolar foi militarizada e transformou-se em Unidade XIII do Colégio Tiradentes da Polícia Militar (CTPM).

Olga Dellaia
(Foto: Acervo da escola)

Josué Montello
(Fonte: Wikipédia)

Durante o mês de setembro, também em 1983, entra em funcionamento a escola estadual Josué Montello, instituição criada pelo Decreto nº 1231, de 14 de abril de 1981. Desde então, a mesma está situada à Linha 630 Km 25, na parte urbana do, atualmente, distrito de Santa Cruz da Serra. O nome da escola é uma lembrança ao escritor brasileiro Josué de Souza Montello (1917-2006).  Historicamente, o ano de 1985, traz consigo a criação de duas escolas em Jaru. A primeira delas, Olga Dellaia, foi criada mediante o Decreto nº 2579, de 31 de janeiro de 1985 em homenagem à professora Olga Dellaia de Souza (1941-1982). Ainda no mesmo ano, em 10 de maio, foi a vez do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceeja) ter a sua autorização governamental sacramentada. 
Pedro Vieira de Melo
(Foto: Acervo da Família)

Cláudio Manuel da Costa
(Fonte: Wikipédia)
Em 1986, Jaru é contemplado com mais unidades escolares, todas com aval do Governo do Estado. Entre as instituições criadas, estão funcionando no município, no ano de 2026, os seguintes estabelecimentos de ensino: Pato Donald, Dayse Mara de Oliveira Martins e Pedro Vieira de Melo, todas elas por meio do Decreto nº 2986, de 21 de julho de 1986. Ainda pelo mesmo decreto, foi criada a Escola Estadual Cláudio Manoel da Costa no então Núcleo Urbano 
de Apoio Rural (NUAR) Colina Verde, hoje distrito do município de Governador Jorge Teixeira. O nome do estabelecimento é uma homenagem a Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) que, entre outras funções, foi poeta e advogado, sendo considerado ainda um dos principais introdutores do Arcadismo brasileiro e participante da Inconfidência Mineira. Outra unidade escolar criada na região pelo Decreto nº 2986, de 21 de julho de 1986, foi a Bartolomeu Lourenço de Gusmão, localizada no então povoado Capitão Silvio. Com a criação do município de Machadinho do Oeste em 11 de maio de 1988, a localidade passou a pertencer a Machadinho na condição de distrito, até ser emancipada no dia 22 de junho de 1994.

Pato Donald
(Fonte: Wikipédia)

Voltando à escola Pato Donald, constata-se que a mesma teve o seu nome definido através de um concurso envolvendo as primeiras crianças da instituição. O processo que definiu como a instituição se chamaria ocorreu por meio de uma escolha feita primeiros alunos que nela estudaram através de votação aberta. A escolha foi entre os personagens Tio Patinhas e Pato Donald, desenhos da Disney que faziam bastante sucesso entre as crianças e, por decisão da maioria, acabou sendo escolhido o nome Pato Donald, um famoso desenho da Disney, sendo assim o único estabelecimento de ensino do município de Jaru que teve o nome definido de forma democrática com a participação direta da classe discente. A primeira diretora foi a professora Maria Dolores Barroso Aguiar. Em 13 de novembro de 2000, através do Decreto 2.932/GP/00, a escola Pato Donald (que antes era estadual), foi integrada à rede municipal de ensino.

Dayse Mara de Oliveira
Martins
(Foto: Acervo da Família)

Dayse Mara de Oliveira Martins (1963-1984) foi uma professora jaruense e após perder a vida de forma trágica no dia 1º de junho de 1984 teve o seu nome em homenagem ao primeiro estabelecimento de ensino a existir no Setor 06 (Bairro Jardim Eldorado). A primeira diretora da instituição foi a professora Rejane Góes de Siqueira tendo como vice-diretora, Suzana Inocente Domingos e secretária, Lígia de Fátima Bezerra Schaider.

Localizada no então povoado de Tarilândia, a escola Pedro Vieira de Melo tem este nome em homenagem a um pioneiro local assim chamado e que viveu de 1920 a 1985, considerado como um dos primeiros homens brancos a habitar a região, que foi transformada em distrito pela Lei 747/GP/2004. A primeira instalação de uma escola no hoje distrito de Tarilândia foi feita em um formato de um grande tapiri (algo parecido com uma palhoça indígena) e recebeu o nome Escola União de Tarilândia.

Alsira Coelho Baratella
fundadora da APAE
(Foto: Acervo da Família)
Sede da Apae em 2014
(Foto: Elias Gonçalves)
A Escola Especial “Preciso de Carinho”, mantida pela APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – foi fundada em 10 de setembro de 1986 tendo como Presidente a senhora Alzira Coelho Baratela (1954-2025), então primeira-dama do município. Em 14 de março de 1987, a instituição inicia o seu atendimento com doze alunos e desde então tem prestado um relevante serviço à sociedade jaruense e na região, onde mantêm convênios com as prefeituras de Jaru, Theobroma e Governador Jorge Teixeira, além do Governo do Estado.

Marechal Costa e  Silva
(Fonte: Wikipédia)
Aldemir Lima Cantanhêde
(Foto: Teófilo Lourenço
de Lima)

Único estabelecimento de ensino público na região do distrito de Bom Jesus direcionado ao ensino fundamental II e ao ensino médio no ano de 2026, a escola estadual Marechal Costa e Silva foi criada pelo Decreto nº 3919, de 29 de setembro de 1988. O nome da instituição é em homenagem ao 27º presidente da República Federativa do Brasil, o Marechal Artur da Costa e Silva (1899-1969). Em 1989, por meio do Decreto nº 516/GP/1989, é criada a escola municipal Palmira José de Souza tendo este nome em homenagem a primeira-dama do Estado. Porém, no dia 30 de janeiro de 1992, através do Decreto 187/GP/92, a instituição passa a se chamar Aldemir Lima Cantanhêde em uma forma de homenagear um dos clãs da família Cantanhêde, Aldemir Cantanhêde (1924-1986). 
Jean Carlos Muniz
(Foto: Acervo da Família)
Tito Lourenço
(Foto: Acervo da 
Família)

A escola Jean Carlos Muniz foi criada pela Prefeitura de Jaru por meio da Lei Municipal nº 189/GP/92, de 31 de maio de 1992. O Executivo Municipal denominou-a como Escola de 1º Grau e a mesma já estava situada à zona urbana do município. As atividades pedagógicas se iniciaram no ano de 1993. Na época em que foi criada, a escola oferecia a Educação Infantil (Pré-Escolar), 1º Grau (1ª à 8ª série), e Ensino Supletivo de 5ª à 8ª séries (seriado). O nome é em homenagem ao aluno Jean Carlos Muniz (1972-1991), estudante jaruense, que, quando em vida, era muito querido por todos. Também em 1992, pelo Decreto 5565, de 26 de maio daquele ano, houve a criação da escola estadual Tito Lourenço de Lima no Bairro Setor 01-A, porém, por ter poucos alunos matriculados, a instituição posteriormente foi fechada pelo Estado de Rondônia através do Decreto 21.948, de 15 de maio de 2017, com data retroativa a 1º de janeiro do referido ano. O nome do estabelecimento de ensino homenageia o jaruense Tito Lourenço de Lima (1957-1991).  

Governador Jorge
Teixeira em 
visita a Jaru
(Fonte: Teófilo
Lourenço de Lima
)
Tânia Barreto
(Foto: Acervo da Família)
Beatriz Mireya
(Foto: Geneci Celso)
Jaru ganhou no próprio ano de 1992, outros locais direcionados ao processo ensino-aprendizagem. Foram duas unidades do Centro Educacional de Assistência ao Menor (CEAM). A primeira delas denominada CEAM I, se transformou em escola municipal Beatriz Mireya pelo Decreto 3466/GP/03,
de 24 de março de 2003, em uma forma de homenagear a professora Beatriz Mireya Zaconeta Nuñes (1973-1993). Já o CEAM II, também criado no mesmo ano, passou a ser chamado escola municipal Tânia Barreto pelo Decreto 2868/GP/00, de 03 de agosto do ano 2000, como uma justa homenagem à aluna Tânia Cristina Barreto Pessoa (1994-1997) que era estudante da instituição quando veio a falecer. 
Também em 1992, o município foi contemplado com a escola estadual Governador Jorge Teixeira, por meio do Decreto 5713, de 27 de outubro do referido ano. A unidade escolar está situada no Setor 07 (Bairro Jardim Esperança) e tem seu nome em homenagem ao ex-governador de Rondônia, Jorge Teixeira de Oliveira (1921-1987). 

Maria de Lourdes
da Silva 
(Foto: Acervo da
Família)
Nilton Araújo
(Foto: Acervo da
Família)
O ano de 1993 chegou e com ele veio a homenagem a outro pioneiro jaruense. Trata-se de Nilton Oliveira de Araújo (1939-1987). Desbravador local, assim como parte da família Cantanhêde, Nilton Araújo teve o nome registrado na memória, entre outros meios, denominando a principal unidade escolar que existe no Setor 08. A escola foi criada pelo Decreto 5.957, de 27 de maio de 1993 e atende alunos do ensino fundamental, sendo a partir da segunda década do século XX, no formato integral. Em 2024, a instituição deixou o Ensino Integral e passou a atender só o Ensino Fundamental II. Ainda em 1993, é criada a escola municipal Sandoval de Araújo Dantas como forma de homenagear o primeiro administrador do distrito de Jaru, que viveu de 1926 a 1986. Todavia, no ano de 1994, por meio do Decreto 1315/GP/94, de 21 de março, a escola passa a se chamar Maria de Lourdes da Silva em homenagem a servidora de mesmo nome e que teve a sua passagem na terra de 1941 a 1992. 

Menézio de Victo
(Foto: Acervo da
 Família)
 
Abrão Rocha
(Foto: Acervo da
Escola Plácido de Castro
 
Em 1994, a comunidade do Setor 03 é contemplada com a primeira escola do bairro como uma forma de se lembrar o legado do jaruense Abrão Rocha (1964-1992). Criada pelo Decreto 1.314/GP/94, de 21 de março de 1994, a escola Abrão Rocha lidera há vários anos o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) no município com médias superiores as de muitas escolas do Estado de Rondônia. No ano de 1999, o homenageado com o nome de uma unidade escolar foi o pioneiro do Bairro Jardim dos Estados, Menézio de Victo (1923-1998), através da criação de uma unidade escolar com o seu nome próximo à sua residência quando em vida, por meio do Decreto 2.624/GP/99, de 20 de maio de 1999. 
Zenir Carvalho
Em 20 de março de 2025, a Escola Municipal Menézio de Victo entrou em uma nova era: a educação integral. A partir de então, o estabelecimento de ensino passou a funcionar da seguinte forma: Horário Matutino: 7h às 11h15; Vespertino: 13h às 17h15 e Integral: 7h às 15h. O projeto foi regulamentado pela Prefeitura de Jaru por meio dos Decretos nº 15.882, de 24 de abril de 2024 e 17.628, de 26 de janeiro de 2026. 

Maria da Conceição
A chegada aos anos 2000 representou outras homenagens a importantes pessoas que deixaram suas marcas registradas no município de Jaru. Uma delas foi para a professora Zenir Carvalho (1934-1997) com a criação da escola municipal de educação infantil, Zenir Carvalho no Setor 07 (Bairro Jardim Esperança) através do Decreto nº 2.935/GP/00, de 16 de novembro de 2000. Também no ano 2000, é criada a escola de educação infantil Maria da Conceição dos Santos – conhecida como Clube de Mães – como uma forma de homenagear a educadora de mesmo nome e que teve a sua história terrena desenvolvida entre 1959 e 2000.

Maria Gomes
José de Souza

Três anos se passam e o município chega ao ano de 2003, onde os povoados de Tarilândia e Jaruaru são contemplados com uma unidade escolar em cada um deles. Em Tarilândia, é criada a escola José de Souza pelo Decreto nº 3.622/GP/2003, tendo este nome em homenagem a José de Souza Silva (1954-2002), antigo morador da região e um dos administradores da vila. Jaruaru ganha a primeira escola do lugar pelo Decreto 3620/GP/2003, de 02 de junho do corrente ano. A instituição recebe o nome de Escola D’Jaru-Uaru em homenagem ao nome do – posteriormente – subdistrito. Também em 2003, é criada a escola de educação infantil Pequeno Príncipe no Setor 08 pelo Decreto 646/GP/03, datado de 28 de abril de 2003, em uma lembrança à obra infantil
Elza Fabris

de mesmo nome escrita por
Antoine de Saint-Exupéry (1900-?). Posteriormente, a instituição se transformou em Escola Municipal de Educação Infantil, Maria Gomes da Costa Gonçalves por meio da Lei Municipal 1.727/GP/2012 para homenagear a professora de mesmo nome com uma trajetória terrena escrita entre 1955 e 2010. Em 2004, o Bairro Jardim dos Estados é contemplado com a escola de educação infantil Elza Fabris, em homenagem à professora Elza Maria Fabris (1946-2002). 

Ex-vereador Loro

O distrito de Bom Jesus foi agraciado com uma instituição de ensino infantil no ano de 2010 com a criação do Centro Educacional Bom Jesus. O Decreto de nº 6.210/GP/10, de 30 de março do referido ano criou a unidade escolar para atender a demanda local e facilitar a vida da comunidade, além de propiciar o atendimento educacional às crianças. O nome, uma homenagem à nomenclatura local, se tornou uma referência na região. Porém, para homenagear o pioneiro Florisvaldo Simões de Oliveira (1943-2018), em 30 de setembro de 2025, por meio da Lei Municipal nº 4131, o estabelecimento de ensino se transformou em Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Florisvaldo Simões de Oliveira, atendendo ao segmento de creche, pré-escolar e Ensino Fundamental I.

Consideradas em diversas situações como o futuro do país, muitas crianças se tornam referência por onde passam. E com o pequeno Gabriel Balmant Neves, não foi diferente. Nascido em 2004 e dono de um sorriso marcante, o menino era uma criança que acabou sendo vítima de dengue hemorrágica aos cinco anos de idade, no dia 10 de dezembro de 2009. Entre várias formas de homenageá-lo, o município de Jaru denominou uma rua no Loteamento Savana Park e criou no Bairro Jardim Eldorado (Setor 06), a escola de educação infantil, Gabriel Balmant Neves, através da Lei Municipal 1496/GP/2011, de 29 de março de 2011.

Em 2020, foi a vez de se criar a escola municipal de Ensino Infantil Maria do Socorro Lopes Soares. A instituição tem esse nome em homenagem à professora Maria do Socorro Lopes Soares (1964-2019), docente que atuou com profissionalismo em várias instituições locais. Seu último trabalho foi na então Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Semecel), onde deixou um grande legado.  Em 2022, a Prefeitura de Jaru criou, por meio do Decreto nº 14.720, de 17 de novembro, a Escola Municipal de Ensino Infantil Primavera. O nome do estabelecimento de ensino é uma referência ao bairro em que a mesma está inserida, o Loteamento Primavera, aprovado pela Prefeitura por meio do Decreto nº 7.045, de 20 de setembro de 2011. A instituição foi inaugurada no dia 03 de abril de 2023.

Além das escolas públicas citadas anteriormente, dezenas de outros estabelecimentos de ensino foram criados, principalmente nas décadas de 1970 e 1980 como escolas multisseriadas, onde mais de uma série (ano) estudava ao mesmo tempo em um único espaço. A maioria se localizava em linhas e estradas vicinais, mas foram fechados pela Prefeitura de Jaru antes do ano de 2012, devido ao fato de terem poucos estudantes matriculados. Com isso, se torna impossível nominar cada um deles, dado o alto número, já que era comum a existência de muitas unidades escolares para atender a uma demanda específica da época.

Escolas particulares ou filantrópicas

 O município conta também com escolares privadas, sendo algumas delas históricas. Por muitos anos, os estudantes de Jaru puderam contar com o ensino do Colégio Visão, Colégio Abílio Blanco (CAB) e Fofolândia, sendo todas elas extintas posteriormente. Todavia, entre as instituições de educação básica consideradas particulares, durante o ano de 2026, estão em pleno funcionamento a Cooperativa de Profissionais de Educação (Cooped), que iniciou as suas atividades em 2004 e Escola Adventista, que começou a funcionar no ano 2000.

A Comunidade Padre Adolfo Kolping está presente há vários anos em Jaru e é considerada uma instituição filantrópica, ou seja, sem fins lucrativos. O estabelecimento de ensino foi registrado nos órgãos competentes em 1993 e atende crianças a partir dos dois anos de idade (creche) ao 9º Ano do Ensino Fundamental, além de cursos profissionalizantes. O nome da instituição é uma homenagem a Adolfo Kolping (1813-1865), religioso ordenado sacerdote Católico em 1845, sendo considerado ainda um percursor da doutrina social da Igreja Católica Apostólica Romana.

Registros apontam que o Instituto Cultural Fofolândia tinha como nome fantasia Colégio Abílio Blanco e foi fundado em 10 de junho de 1988. À época, a instituição atendia primordialmente crianças na faixa etária da pré-escola. Posteriormente, surgiu o Novo Colégio Abílio Blanco, em 13 de dezembro do ano 2000, tendo como atividade econômica principal o atendimento ao ensino médio. Não há informações sobre a data de encerramento dos dois estabelecimentos de ensino no município, mas os últimos processos de conciliação da Fofolândia são datados de meados de 2004 e o CNPJ do Novo Colégio Abílio Blanco só foi dado baixa em 16 de novembro de 2023, portanto após a morte de seu idealizador. Também não há dados precisos sobre a origem exata do nome Fofolândia, mas a nomenclatura Colégio Abílio Blanco remete ao patriarca da família, o professor de Educação Física na rede estadual de Rondônia, Pedro Abílio da Silva Blanco (1954-2023). Pedro Abílio nasceu em 24 de outubro de 1954 na Capital do Rio de Janeiro e faleceu no dia 14 de maio de 2023, aos 68 anos, em Indian Orchard, um bairro de Springfield, em Massachusetts, nos Estados Unidos. Pedro Abílio também era Mestre em Capoeira.

O Colégio Visão, outra unidade escolar que marcou época no município, foi registrado com o nome Centro Educacional SM Visão Ltda, teve o registro contabilizado em 24 de setembro de 1994, mas começou a realizar atendimento educacional no ano de 1995. A instituição, que funcionava só no período matutino, encerrou suas atividades em 2003 e, além de Jaru, havia filiais em Ouro Preto D’ Oeste, Ariquemes, Porto Velho e Ji-Paraná. A escola tinha como Diretora Pedagógica a professora Sônia Lúcia Costa e trabalhava com os ensinos infantil, fundamental e médio, além de cursos pré-vestibulares.  Sônia Lúcia foi convidada para contribuir profissionalmente no Colégio Visão devido à sua vasta experiência no setor educacional, onde havia ocupado posições relevantes nos governos de Jerônimo Santana, Osvaldo Piana e Valdir Raupp, entres elas, a função de Representante de Ensino da Seduc em Jaru, cujas atribuições são equivalentes ao cargo de Superintendente Regional de Educação em 2026. 

Administrado pelos irmãos Menezes, o estabelecimento tinha como Diretor Administrativo, o senhor Saturnino José de Menezes, por esse motivo o nome SM Visão Ltda. O ensino ministrado na instituição teve grande relevância em seu período de existência, onde além de educadores de Jaru, havia integrantes do corpo docente oriundos da região nordeste. Com professores qualificados, foi possível garantir a formação de profissionais em várias áreas do saber, além de contribuir para a qualificação de um grande celeiro de líderes e cidadãos de sucesso que hoje atuam em todo o Estado, bem como em nível nacional.

O Colégio Visão contou anualmente com cerca de 350 alunos. Filho de um dos proprietários, o então adolescente Paulo Henrique Menezes, com apenas 14 anos, se tornou mestre de informática, aprendendo logo cedo um ofício que marcaria a sua trajetória. No início da história da então faculdade Unicentro (posteriormente transformada em Fimca Jaru), o Colégio Visão cedeu espaço para a instalação do escritório de apoio, além de participar das tratativas políticas. A consequência da parceria apresentou o seguinte resultado: Paulo Henrique coordenou o Laboratório da Unicentro por 16 anos, onde chegou ao cargo de Diretor Financeiro.

Além de se destacar no conhecimento, o Colégio Visão obteve excelentes resultados nos Jogos Escolares de Rondônia, o Joer, com conquistas de importantes medalhas. A equipe de atletas era transportada em um veículo Ford Corcel II intitulado “Satur Móvel”, uma referência ao nome do diretor administrativo Saturnino Menezes. Entre os profissionais de Educação Física que passaram pela escola estão Uelton Salomão, Paulo Brandalise, Liane Brandalise, Ronaldo Alves de Souza e Alana Araújo Filgueira, além de um vasto e experiente corpo docente nas demais áreas. Foram vários jogos memoráveis, como por exemplo, títulos no futsal infantil e juvenil, além do Voleibol. A família Menezes carrega consigo uma enorme gratidão pela atenção e carinho que foram dados pela população jaruense nos oito anos de existência do Colégio Visão no município.

Embora não se trate de uma escola particular no padrão propriamente dito, a Creche Domiciliar Casa dos Batutinhas foi inaugurada em Jaru no dia 16 de junho de 2016. O nome é uma lembrança do filme “Os Batutinhas”, atração cinematográfica produzida pela primeira vez em 1994. Situada à Avenida Princesa Isabel, nas proximidades da Rua João Batista, a unidade foi fundada por Rosenilda Alves da Silva, profissional que fez Magistério na década de 1990 e concluiu o curso de Pedagogia na então universidade Unicentro (hoje Fimca Jaru) no ano de 2010. O estabelecimento é regularizado para o que se propõe fazer, atende ao público de quatro meses a seis anos de idade e oferece atividades semelhantes ao que é feito com o berçário e maternal nas creches da rede municipal de ensino. As crianças aprendem noções de coordenação motora e de forma lúdica podem desenvolver habilidades em áreas vitais do universo infantil, contar de 1 a 10, além de identificar algumas cores.

 O Ensino Superior

Por muito tempo os alunos jaruenses que concluíam a educação básica só poderiam ingressar no Ensino Superior se deslocassem para outros municípios. Entretanto, essa realidade começou a tomar outro rumo em novembro de 1999, quando o prefeito da época, Ademário Serafim de Andrade (1957-2014) organizou uma reunião em conjunto com a Câmara Municipal e com a participação de membros da sociedade organizada, além de representantes da faculdade Unipec, sediada em Porto Velho. O resultado desse encontro foi a implantação do primeiro estabelecimento de ensino superior.

Um Projeto de Lei foi encaminhado à Câmara de Vereadores solicitando autonomia do Executivo Municipal para liberar uma área no perímetro urbano para a construção do Campus Universitário e a cessão, em regime de comodato, de uma escola que esteja ociosa no período noturno. Mediante a aprovação do projeto, o município de Jaru contou com a primeira instituição de Ensino Superior: União Centro Rondoniense de Ensino Superior Ltda, depois conhecida apenas como Unicentro. As atividades educacionais se iniciaram no ano de 2001 e a contrapartida da universidade ficou definida em concessão de um percentual de bolsas a funcionários públicos municipais e a familiares destes. As primeiras formações acadêmicas foram oferecidas nas áreas de Administração de Empresas e Administração Pública. Depois, vieram cursos relacionados à educação, entre outros segmentos profissionais da sociedade. Em 2017, após a universidade ser adquirida pelo grupo Faculdades Integradas Aparício Carvalho, passou a se chamar Fimca Jaru.

A modalidade à distância para o ensino superior também faz parte de um formato que se tornou realidade em Jaru. Instituições como Universidade Norte do Paraná (Unopar, posteriormente transformada em Unopar / Anhanguera), Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), Faculdade Educacional da Lapa (Fael), Universidade Cruzeiro do Sul, Centro Universitário Internacional (Uninter) e Centro Universitário de Maringá (UniCesumar) fazem parte da história educacional jaruense. A presença de tais empresas com seus polos educacionais, tem como objetivo garantir aos alunos que concluem a educação básica, a possibilidade de fazerem um curso superior no próprio município com diploma emitido através de instituições que tradicionalmente possuem suas raízes em outras cidades brasileiras.

 Uma instituição voltada ao homem do campo

 Inaugurada no dia 06 de fevereiro de 2013, a Escola Família Agrícola (EFA) Dom Antônio Possamai, está situada no km 02 da Linha 623 (RO-463) e foi a sexta instituição do gênero a entrar em funcionamento dentro do Estado de Rondônia. As outras cinco anteriores foram implantadas nos municípios de São Francisco do Guaporé, Vale do Paraíso, Cacoal, Ji-Paraná e Novo Horizonte. O estabelecimento de ensino também foi o primeiro a alterar a formação de Técnico Agrícola para Técnico em Agroecologia. Com essa nomenclatura, o referencial curricular da instituição passa a incorporar ações que visam o desenvolvimento de forma sustentável.

 Outras modalidades de Ensino Técnico

Após a extinção do ensino técnico para professor (Magistério) no ano de 2001 e Contabilidade (1999), com as últimas turmas na escola estadual Plácido de Castro, essa modalidade passou a fazer parte da vida cotidiana de estudantes jaruenses por meio do Instituto Federal de Rondônia (IFRO) e da Escola Família Agrícola (EFA). As primeiras turmas do IFRO se iniciaram em 2016 para a formação de Técnico em Cooperativismo com uma turma no Campus Avançado do IFRO em Jaru e também por meio do Ensino Médio com Mediação Tecnológica, formato de ensino que, em seus primórdios contou com a parceria da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) e IFRO.

Em um primeiro momento, ainda no ano de 2016, se iniciaram cinco turmas que contavam com as disciplinas tradicionais do ensino médio em um formato denominado Mediação Tecnológica e de responsabilidade do Estado de Rondônia. Porém, uma vez por semana, eram ministradas as disciplinas do Curso Técnico em Cooperativismo pelo Instituto Federal de Rondônia. Essa parceria possibilitou que em Jaru fossem formadas cinco turmas, sendo duas delas em unidades escolares fechadas no fim do ano de 2017. São elas: as escolas Creuza Antônia (Linha 612) e Frei Henrique de Coimbra (Linha 634). Havia também uma turma na Escola Municipal D’Jaru-Uaru e outras duas turmas que foram criadas nas escolas Marechal Cordeiro de Farias e Juscelino Kubitschek, situadas, respectivamente, às Linhas 619 e 617. Porém, a parceria entre Estado e IFRO, foi descontinuada posteriormente e os cursos técnicos federais, ficaram restritos ao Campus do IFRO em Jaru.

As aulas presenciais no campus local do IFRO se iniciaram no ano de 2017 com a oferta de cursos concomitantes ao ensino médio. Em um período o aluno estava em uma escola que oferecia a última etapa da educação básica e, no horário oposto, deveria ir à única unidade escolar federal até então existente no município. Ainda em 2017, tem início os cursos subsequentes ao ensino médio. O campus do Instituto Federal de Rondônia em Jaru iniciou no ano de 2020 a primeira turma de Medicina Veterinária para formação em Bacharelado na respectiva área.

Voltando ao início da história construída pelo IFRO em Jaru, percebe-se que a articulação que culminou com a implantação do estabelecimento público de ensino federal no município teve um momento decisivo ainda no ano de 2013 com ações envolvendo o Ministério da Educação, políticos representantes de Rondônia na esfera nacional e a administração municipal à época dos fatos. Entretanto, em 2012, com a criação de um Polo Avançado em parceria com a Prefeitura de Jaru, foram oferecidos cursos técnicos nas áreas de Informática, Finanças e Agente Comunitário de Saúde. Posteriormente, a Lei Municipal 1974/GP/2014, elaborada durante a gestão da então prefeita Sônia Cordeiro de Souza e aprovada pela Câmara Municipal oficializou a doação do terreno que há muitos anos pertenceu à Associação dos Criadores de Jaru (ACJ), passou a ser do município e que foi palco de grandes eventos agropecuários entre a década de 1980 e o ano de 2005. Com isso, o Campus do IFRO ficou localizado em um local histórico do espaço territorial jaruense.

 

 REFERÊNCIAS:

CACOAL NEWS. Educação em Jaru deve receber mais de 16 milhões. Disponível em <https://www.cacoalnews.com.br/2013/11/educacao-em-jaru-deve-receber-mais-de-r.html?m=1>. Acesso em: 08. Nov. 2020.

CÂMARA MUNICIPAL DE JARU. Projeto de Lei 073/GP/87, de 27 de outubro de 1987. Projeto Anexo ao estudo de campo feito por Teófilo Lourenço de Lima. Jaru, 1984-1987.

LIMA, Teófilo Lourenço de. Do Monte Nebo a Jaru – Um passado a ser conhecido. Canoas: Ed. ULBRA, 2001.

RONDÔNIA DIGITAL. Escola Família Agrícola é inaugurada em Jaru. Disponível em <http://rondoniadigital.com/escola-familia-agricola-e-inaugurada-em-jaru/>. Acesso em: 31. Out. 2020.

_____________________. Técnicos do IFRO visitam Jaru e discutem implantação da instituição. Disponível em <http://rondoniadigital.com/tecnicos-do-ifro-visitam-jaru-e-discutem-implantacao-da-instituicao/>. Acesso em: 08. Nov. 2020.

PEREIRA, Elias Gonçalves. Vivendo Nossa História. Jaru: Gráfica Ave, 2013.

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