A Rádio Massa FM chegou em Jaru no dia 28 de janeiro de 2019,
mas a frequência 91.1 começou a ser utilizada no município com o nome
Meridional FM no ano de 2005. À época, a emissora pertencia ao Sistema
Meridional de Rádio (SMR) e integrante do Grupo Rondovisão, empresa que até o início de dezembro de 2023 representava o SBT em Rondônia, mas que fora comprada nos primeiros dias do último mês do referido ano pelo Grupo Norte, conglomerado de mídia que, por sua vez, é responsável por várias afiliadas do SBT em estados da
Região Norte.
A mudança ocorrida em 2019 representou a
afiliação à Rede Massa, implantando assim um novo sistema radiofônico no
Estado, uma vez que as estações de rádio do grupo Rondovisão (então pertencentes
ao Sistema Meridional de Comunicação) se tornaram afiliadas da emissora de rádio
paranaense.
Prédio da Meridional FM, antigo nome da Massa FM (Foto: Elias Gonçalves)
Logotipo da extinta Rádio Meridional FM
Desde o seu início, a emissora contou com uma
programação variada e com isso atingiu todos os tipos de públicos. O setor
rural foi contemplado com o programa Repórter no Campo apresentado pelo
jornalista Joir Calixto. A atração com uma hora de duração apresentava em seu
repertório músicas sertanejas, cotações do setor agropecuário e notícias em geral
de interesse do homem do campo.
Durante os primeiros anos de sua existência
em Jaru, no campo jornalístico a então Meridional FM transmitia apenas o
programa “Falando a Verdade” exibido em rede estadual de rádio, mas a situação
mudou no dia 1º de abril de 2013 com a estreia do Meridional Notícias, um
jornal exibido de segunda a sexta-feira.
Em dezembro de 2017, a rádio Meridional FM em
Jaru passou a ser administrada por Ivanderlã Lelis Lima, ex-diretor
administrativo da primeira emissora no município, a Rádio e Televisão Anary Ltda. Anteriormente, Ivanderlã estava à frente do Grupo Rondovisão em Porto
Velho na função de Diretor Executivo e retornou à localidade para assumir a
direção da estação radiofônica.
Wesley Vieira, Joir Calixto e Ivanderlã nos estúdios da Meridional FM (Foto: Elias Gonçalves)
Após Ivanderlã assumir a direção da 91.1,
houve algumas mudanças na grade da emissora visando deixá-la mais adequada à
necessidade de ouvintes e anunciantes. A
programação passou a contemplar com mais ênfase atrações sertanejas e de outros
gêneros musicais. Dentro do campo jornalístico, havia o Meridional Notícias
contemplando todas as camadas sociais com muita informação de interesse da população
jaruense e da região. "A Meridional FM (hoje Massa FM) é uma rádio
bastante eclética, pois devido à variedade de suas atrações, consegue atender a
vários segmentos", disse Ivanderlã no ano de 2017 ao ser entrevistado pelo
escritor Elias Gonçalves para a produção do livro “Um tratado sobre a música, a
literatura e a comunicação jaruense”, obra
literária lançada em junho de 2019 nas dependências da Associação Comercial e Industrial de
Jaru (ACIJ).
Em 28 de janeiro de 2019, a Rádio Meridional FM passa a ser denominada como Massa FM (na foto acima, a primeira sede da emissora no município de Jaru) e começa uma nova era na comunicação local (Foto: Elias Gonçalves)
Uma reportagem publicada na imprensa local em
14 de dezembro de 2018 informou que a
Rádio Massa FM, emissora sediada na região sul do país, havia confirmado uma
parceria com o Sistema Meridional de Rádio que consistia na afiliação de todas
as emissoras do grupo no Estado, além da implantação de outras rádios em vários
municípios rondonienses. O acerto entre as partes envolvidas foi que a gestão
continuasse com as mesmas pessoas que já administravam cada estação que já
estava implantada.
Equipe de profissionais que participaram da inauguração da Massa FM em Jaru às 12 horas do dia 28 de janeiro de 2019 (Foto: Elias Gonçalves)
O dia 28 de janeiro de 2019 marcou o início
de uma nova era no rádio local. Exatamente às 12 horas da respectiva data, depois
de uma grande expectativa, ocorreu a estreia da Massa FM em Jaru. A equipe da
nova emissora realizou um evento
especial com um jantar para a imprensa e convidados onde detalhou a metodologia de atuação da
nova emissora no município de Jaru. Desde o seu início a Massa FM tem se
destacado como um referencial com uma programação que cativa quem está do outro
lado do rádio, sorteio de prêmios, entre outros quesitos capazes de atrair ouvintes
e anunciantes. Clique
aqui e confira uma reportagem publicada pelo site Jaru Online sobre o 1º aniversário da Massa FM em
Jaru.
Atual sede da Massa FM situada à Avenida Rio Branco nº 1300, Setor 02 (Foto: Elias Gonçalves)
Desde o dia 24 de setembro de 2023, os
estúdios da emissora estão situados à Avenida Rio Branco nº 1300, Setor 02, em
Jaru – RO. Além dos programas habituais, diariamente, a Massa FM apresenta ao
longo da programação os seguintes programetes: Notícias da Massa, Mulher
Entende Mulher e Massa Dá de 10. Com isso, a emissora deixa os ouvintes em dia
com as últimas notícias do momento, dá dicas sobre assuntos femininos e toca os
grandes sucessos da atualidade.
Programação da Massa FM em dezembro de 2023
Segunda
a sexta-feira
00:00 – CIA da Massa
04:00 – Pé na Estrada
06:00 – Microfone Aberto Local
07:00 – Microfone Aberto Estadual
08:00 – Manhã da Massa
11:35 – As Cinco Estrelas
12:00 – Turma da Massa
14:00 – Metendo a Colher
15:00 – Tarde da Massa
17:00 – As Mais Pedidas
18:00 – Massa FM na Geral
19:00 – Tamo Junto e Misturado
21:00 – Voz do Brasil
22:00 – Minha Saudade é Você (segunda a
quinta-feira)
Vladimir Zanatta e Juracy Alves em Frente à sede da TV Anary (Foto: Ademir Ribeiro)
A TV
Anary – Canal 07 – foi a primeira emissora de televisão a funcionar em Jaru com
programação local. Inaugurada no dia 20 de dezembro de 1985, a empresa foi
fundada pelo empresário Francisco de Assis Araújo, o Chico Araújo, político
local ligado ao então PMDB, e, segundo consta, teve grande influência e
liderança no Governo do Estado de Rondônia, ao qual chegou a pertencer na época
do então governador Jerônimo Garcia de Santana (1934-2014), ocupando o cargo de
Secretário de Estado do Meio Ambiente, por mais de três anos. Em sua fase
inicial, a TV Anary teve em seu quadro os seguintes sócios: Chico Araújo,
Antônio [sobrenome não encontrado pelo autor], Leonesto Cavasin e Nelson
Carminatti.
Prédio da Tv Anary ampliado após a inauguração da rádio (Foto: Ademir Ribeiro)
A TV Anary era afiliada à Rede Bandeirantes de
Televisão e, no fim da década de 1980, foi considerada como um grande marco no
desenvolvimento do município de Jaru, pois além de fazer a publicidade dos
estabelecimentos do comércio e serviços da cidade e da região, também inovou
com a implantação de um editorial jornalístico, apresentando um programa local,
com notícias e reportagens regionais e locais, uma vez que possuía uma equipe
de produção de matérias internas e externas para serem noticiadas no programa.
Esse noticiário tinha a apresentação do jornalista Eronildo Dutra Pereira.
Atualmente (2023) ocupando o cargo de diretor na Rádio Massa
FM em Jaru, Ivanderlã Lélis Lima também atuou como funcionário da TV Anary em
vários cargos, entre eles office boy, operador de VT e Diretor Administrativo.
Feliz por fazer parte de uma importante página da comunicação local, Ivan, como
é conhecido, estava presente no dia da inauguração do rádio e, ao lado de um
colega de trabalho chamado Francisco participou da cobertura que marcou a
inauguração da primeira estação radiofônica de Jaru.
Em entrevista concedida ao escritor Elias Gonçalves no
ano de 2015, Nelson dos Reis Fernandes (1949-2018) que também foi funcionário
da emissora relatou que para manter a programação própria no ar em plenos anos
1980 era um grande desafio, apesar de ser o único meio de comunicação com
programação local na época, uma vez que a rádio ainda não havia se instalado na
cidade. “A audiência era enorme, mas nem sempre o apoio correspondia à
necessidade”, disse Reis à época da entrevista.
Gratidão
Chico Araújo em foto registrada no ano de 2018 (Foto: Acervo Pessoal de Chico Araújo)
Sendo um dos sócios da Rádio
e TV Anary, Francisco de Assis Araújo, atuava como Diretor Superintendente.
Quando o assunto é a empresa citada, o empresário demonstra uma enorme gratidão
pelas pessoas que, juntamente com ele, construíram uma importante etapa do
primeiro canal de televisão genuinamente jaruense, bem como da primeira
emissora de rádio local. Ao todo foram mencionados vinte e cinco nomes de
pessoas que o ajudaram a tornar o legado da TV Anary como referência para
muitos. Diversos profissionais que seguiram carreira na comunicação de Jaru ou
foram para outros municípios começaram na emissora e alçaram novos voos sem se
esquecerem do aprendizado obtido em suas origens. Mesmo após quase três décadas
após deixar o município (quando foi entrevistado pelo escritor Elias Gonçalves em 2018), Chico, como é conhecido, recorda com exatidão o nome e
a respectiva função de cada um dos funcionários.
A
chegada do rádio em Jaru
Chico Araújo discursando na inauguração da Rádio 94.1 (Foto: Ademir Ribeiro)
Em 28 de agosto de 1989, o empresário Chico Araújo dá
outro grande passo para promover o desenvolvimento local ao implantar a
primeira rádio do município com a denominação de Rádio Jaru FM. O dia da
inauguração foi marcado por grande festa com a presença de lideranças políticas
e um show com a participação de vários artistas do cenário nacional. “Nesse
show foram distribuídos muitos brindes com o patrocínio do comércio jaruense”,
recordou Chico ao ser entrevistado pelo autor.
No dia seguinte, 29 de agosto de 1989, às cinco horas
da manhã, acontece a estreia do “Viola Cabocla”, atração que permaneceu no ar
até o dia 22 de agosto de 2018 com apresentação de Reis Fernandes. Devido ao
falecimento do titular do programa ocorrido no dia 23 de agosto de 2018,
faltando exatos seis dias para o 29º aniversário da atração, o programa passou
a ser conduzido pelo radialista Valdemir Pereira até junho do ano seguinte e,
em seguida, foi substituído por outra atração com o estilo musical que já
estava consagrado no horário.
A equipe
inicial da rádio Jaru FM (94.1) foi composta por Eron Dutra (radialista e
diretor), Reis Fernandes, Jomar de Souza, o Jota Souza e Ely Nascimento.
Diversos profissionais passaram pela emissora, sendo entres eles: Vladimir
Zanata, Antônio Carlos, Robert Muracami, Nill Duarte, Margarida Maria de
Araújo, Claudete Dutra Pereira, Regina Quiovetti, Paulo Riet, Josiane Ribeiro,
Acir Alves, Fabyo Brenner de Araújo, Saulo Araújo, Adão Soares, Raulino Conte
de Souza, Amauri de Souza, Tadeu Itajubá, Magali Alves, Sandra Regina, Domingos
Viana, José Aparecido da Silva, Flávio Silva, Alessandra Ferrari, Odair José,
Hamilton Bernardes, Carlos Azevedo, Rosângela Souza, Cláudio Luiz, Anilson
Rocha, Fábio Camilo, além do próprio Ivanderlã que, entre outras funções, foi
locutor e Diretor Administrativo e Financeiro.
Vladimir Zanatta apresentando o Trânsito Livre (Foto: Acervo de Valmir Zanatta)
A programação da Rádio Jaru FM era recheada de
atrações com músicas, informações, entretenimento, além de se difundir a
política, a cultura e o esporte municipal. O saudoso Nelson dos Reis Fernandes,
conhecido no meio radiofônico como Reis Fernandes, foi o pioneiro em apresentar
um programa voltado para atender ao público caboclo. Grande entusiasta da
chamada música caipira, comandou também o “Domingão Sertanejo na TV” que era
exibido ao vivo e contava com duas horas de duração. O programa recebia
talentos locais, violeiros, duplas e artistas em geral da região.
Embora, quando em vida, possuísse uma grande
recordação do início da TV Anary em Jaru, Reis Fernandes começou a atuar
inicialmente no rádio. Por ser amigo do então proprietário da emissora, Chico
Araújo e, sabendo do lançamento da estação radiofônica, Reis decidiu apresentar
a ele o projeto de um programa que propiciasse o devido valor à música
sertaneja. No dia em que a rádio foi inaugurada, Chico Araújo fez um show em
frente à TV Anary e na presença de aproximadamente três mil pessoas pegou um
aparelho de rádio e deu um brado: “a 94.1 FM Estação Primeira está no ar!” O
público reagiu de forma esplendorosa e aplaudiu o anúncio feito na ocasião, uma
vez que a rádio estava em fase experimental há alguns dias. Os principais slogans
da emissora de rádio foram: Estação Primeira, Rádio 10 da Cidade e por último
Rádio Cidade.
Trabalho
em equipe e seus resultados
Vladimir Zanatta em gravação para a programação da TV Anary (Foto: Acervo de Vladimir Zanatta)
Vladimir Zanatta
começou a trabalhar na emissora em 04 de fevereiro de 1992 e lá permaneceu até
ser admitido pela FM do Povo (hoje Plan FM) em 01 de janeiro de 1998. Zanatta
atuou na televisão tendo a função de jornalista por aproximadamente seis meses
e também como âncora do Telejornal Anary, além de apresentar programas
musicais. Segundo relata, a TV Anary não contava com ponto eletrônico ou Teleprompter, como é conhecido o aparelho que fica
acoplado embaixo da câmera e apresenta o texto a ser falado pelo apresentador,
fazendo com que os desafios fossem ainda maiores. “Tínhamos que decorar a
‘cabeça’ da matéria (informações ditas antes de cada reportagem ir ao ar) ou
ler na bancada”, recorda. Outra forma utilizada pela produção do telejornal era
segurar um cartaz ao lado do visor da câmera, o que muitas vezes era
perceptível pelo telespectador em casa, devido ao apresentador estar olhando
para algum lado. Juracy Alves era o responsável pela produção e redação do
telejornal e, junto com outros membros da equipe, fez um trabalho considerável
no campo televisivo. O Telejornal Anary foi criado em 1994 e além de Vladimir
Zanatta que o apresentava, tinha em sua equipe o repórter Hamilton Azevedo e o
cinegrafista Mauro Bonfim.
Locutor Juracy Alves e o empresário Edson Toneto (Foto: Acervo de Vladimir Zanatta)
Juracy Alves dos Santos
chegou ao município no ano de 1989 para atuar exclusivamente na inauguração da
Rádio Jaru FM e na empresa exerceu vários ofícios, entre eles operador de VT na
televisão e locutor no rádio. No período compreendido entre 1989 e 1993,
conforme recorda, trabalhou somente na rádio e depois atuou de forma decisiva
na reativação da programação local da TV Anary, pois a mesma havia sido
interrompida após a venda efetuada por Chico Araújo no ano de 1991. Aos
sábados, Juracy Alves apresentava o programa “Clipe e Ação”, o que
possibilitava à emissora atingir uma grande audiência graças à estratégia de
programação conciliada com o retorno da publicidade ao meio televisivo
jaruense.
Estúdio da TV Anary (Foto: Acervo de Ademir Ribeiro)
Voltando ao período em que a
empresa Rádio e TV Anary estava sob a responsabilidade do empresário Francisco
de Assis Araújo, percebe-se que o mesmo era um tanto quanto futurista. Em tom
nostálgico, Juracy Alves revela que a Jaru FM foi a primeira emissora de rádio
de Rondônia a tocar um som digital e o feito aconteceu graças a uma viagem que
Chico Araújo fez no ano de 1990 à cidade de Londres para participar de uma
conferência ambiental. Ao participar do evento na cidade europeia, Chico
comprou dois aparelhos que reproduziam CD’s e de forma aleatória adquiriu um CD
duplo com as melhores canções do cantor Elton John. A primeira melodia tocada
no meio radiofônico rondoniense, segundo Juracy Alves, foi a canção “Daniel” de
Elton John e o feito aconteceu no programa Show da Manhã da rádio Jaru FM, à
época ancorado pelo radialista Jomar de Souza. A escolha musical foi feita pelo
próprio Juracy e representou um marco importante no meio radiofônico estadual.
Jaru
FM se transforma em Rádio Cidade
Em 1991, quando vendeu o prédio da TV Anary, Chico
Araújo alegou que o motivo seria devido a uma grande perseguição política. Na
oportunidade o empresário passou a residir na cidade de João Pessoa (PB), mas a
venda não se concretizou da forma acordada, o que, segundo ele, lhe causou
alguns problemas, por se tratar de um patrimônio construído com bastante
sacrifício. Com a venda do prédio da Rádio e TV Anary, Reis Fernandes assumiu a
direção da rádio por algum tempo e, em seguida a empresa optou por substitui-lo
por Itamar José Ferreira oriundo da rádio Caiari, em Porto Velho.
A venda das instalações da Rádio e TV Anary resultou
em algumas mudanças estruturais e estratégicas. Uma delas, segundo Juracy
Alves, diz respeito à forma como a rádio era conhecida em Jaru. Devido ao fato
de ser o responsável pela produção de vinhetas, Juracy acabou relatando a Reis
Fernandes, o então diretor da época, que havia uma grande dificuldade em
produzir algo comercialmente viável com o nome Jaru FM. O relato de Juracy
fazia sentido, uma vez que a maioria dos locutores se referia à emissora como a
“rádio da cidade” e a sugestão foi justamente nesse campo. Reis disse que
gostava da referência e com isso seria necessário pensar em um evento que, se
feito com a devida habilidade, poderia se reverter positivamente.
A
gincana Caça ao Tesouro
Equipe da Rádio Cidade e Televisão Anary juntamente com os apoiadores durante a gincana Caça ao Tesouro (Foto: Acervo Pessoal de Ademir Ribeiro)
Era abril de 1992 e o processo que chegaria ao novo
nome se iniciou no escritório da rádio através de uma conversa de bastidores
entre Juracy Alves e Vladimir Zanatta. Foi então que surgiu a ideia de se fazer
um evento chamado “Caça ao Tesouro” devido ao fato de ambos terem assistido na
casa de Vladimir uma produção cinematográfica com a mesma temática. Conforme
recorda Juracy, o município se transformou em uma “ilha”, onde de posse do mapa
da zona urbana de Jaru, os idealizadores dividiram a cidade em quatro partes.
Diversos enigmas foram criados e com o apoio de equipes que se deslocaram para
vários lugares, era necessário descobrir gradativamente cada pista. A equipe
que fizesse a descoberta deveria retornar à praça municipal, a base da
competição, para substituir o outro participante que estava cumprindo algumas
tarefas. As inscrições foram feitas quarenta e cinco dias antes, o que garantiu
um tempo considerável para que os organizadores pudessem pensar em cada
detalhe. Cinco grupos foram inscritos como participantes, mas havia ainda uma
sexta equipe denominada “Os Piratas” que tinha como missão “dificultar” a
descoberta das dicas inseridas em vários lugares. A concentração na praça e nos
locais onde havia pistas foi intensa, movimentando assim o município no
mitológico dia que representou uma importante página na história da comunicação
jaruense.
Após juntar as quatro partes do quebra-cabeça, a
equipe tinha o Mapa do Tesouro que a conduzia ao local onde encontraria a tão
almejada descoberta. Era um barril muito bem enterrado contendo um envelope que
apresentava uma frase com o novo nome da emissora: Rádio Cidade. Depois de
cumprir a tarefa de forma completa os integrantes deveriam retornar à praça
para apresentarem o resultado a todos. A equipe campeã recebeu um prêmio
equivalente a dez salários mínimos, um valor considerável e bem-vindo em
qualquer época.
Veja abaixo os principais momentos da Gincana Caça ao Tesouro:
O
fim de uma era marcada por grandes conquistas
Em 1995, com a Rádio Cidade sob nova administração,
Reis Fernandes trabalhou por algum tempo na então Rádio FM do Povo (hoje Plan
FM) com a apresentação do Viola Cabocla. No ano de 1996, o apresentador é
eleito vereador em Jaru, mas continua exercendo o seu ofício radiofônico de
forma paralela às atividades parlamentares. Quando fazia parte do quadro de
funcionários da FM do Povo, Reis chegou a participar também de algumas edições
do programa “Jogo Aberto”. Porém, pouco tempo depois retornou à Rádio Cidade e
lá esteve até os últimos momentos em que a empresa estava funcionando.
Anilson Rocha no estúdio da Jaru FM em registro feito no ano de 1993 (Foto: Acervo de Anilson Rocha)
O radialista Anilson Rocha Oliveira iniciou a sua
carreira no rádio jaruense através da Jaru FM em novembro de 1991 e permaneceu
como funcionário até 20 de janeiro do ano 2000, data em que a emissora teve as
suas transmissões suspensas. Anilson considera o período em que esteve como
contratado da primeira emissora de rádio do município como um momento de muito
aprendizado, pois significou o início de uma trajetória em que em alcançou
grandes conquistas. O apresentador estava no ar com o programa Cidade em
Trânsito, quando representantes da Agência Nacional de Telecomunicações, órgão
ligado ao Ministério das Comunicações, compareceram à sede da rádio e lacraram
os transmissores, impedindo assim a exibição de toda a programação. Além do
Cidade em Trânsito, Anilson Rocha esteve à frente de outras atrações: a
primeira delas era exibida no horário noturno e tinha o nome Romance na Cidade.
Outro programa em que o comunicador criou e apresentou foi o memorável Almoço à
Brasileira, uma das atrações a fazer história na Rádio Cidade.
O verdadeiro motivo que culminou com a saída da Rádio
Cidade do ar é algo não conhecido totalmente pelos ouvintes que fizeram a
emissora ser uma referência em muitos aspectos. Em seus últimos dias com a
citada denominação, havia uma disputa envolvendo pessoas influentes, além de
interesses políticos, o que fez com que a Anatel tivesse que agir com o
objetivo de resolver o impasse relacionado à concessão. Muitas informações eram
desencontradas e os funcionários que fizeram parte dos últimos momentos da
Rádio Cidade pouco sabiam sobre o que realmente estava acontecendo nos
bastidores. A televisão saiu do ar antes da rádio e o fechamento total da
emissora foi uma surpresa geral.
Reis Fernandes apresentando o programa Viola Cabocla (Foto: Acervo de Lucilene Ugalde) na Rádio Jaru FM
Em termos históricos, a Rádio e Televisão Anary que,
apesar do nome duplo era uma única empresa, soube dosar entre a ousadia e a
inovação e com isso conseguiu surpreender positivamente o público que a via
como uma referência, algo a ser lembrando por muitas gerações. O saudoso Reis
Fernandes que teve um grande destaque na frequência 94.1 em todas as etapas das
denominações lhe atribuídas quase que muda completamente parte da própria
história e da comunicação jaruense. Lucilene Ugalde, viúva do apresentador e
companheira de muitos anos confidenciou ao escritor Elias Gonçalves que, pouco
tempo após chegar ao município de Jaru – o casal chegou em 1983, atendendo a um
convite do gestor da época, Leomar José Baratella – Reis pensou em ser
caminhoneiro para “cortar” o Brasil, mas conhecedora do potencial do marido no
setor de comunicação, Lucilene aconselhou-o a trabalhar com Chico Araújo, pois,
agindo assim, Reis faria o mesmo processo, mas através das ondas do rádio, como
sempre ocorreu no que quase três décadas em que esteve “derramando alegria no
seu rádio”, como o próprio fazia questão de frisar nas madrugadas de segunda a
sábado nas ondas do rádio jaruense.
Outros registros sobre a história da Rádio e TV Anary:
Reportagem da SIC TV sobre a morte de Reis Fernandes:
Clique aqui e leia um artigo sobre a história da educação de Jaru
Clique aqui e veja um resumo de cada gestão municipal de Jaru de forma individualizada.
Maria do Socorro Lopes Soares nasceu no dia 13 de dezembro de 1964 em Aguiar, município localizado na Região Metropolitana do
Vale do Piancó, local que engloba dezoito cidades no Estado da Paraíba.
Maciel Soares Sobrinho, esposo de Maria do Socorro
em uma união que se iniciou em 22 de dezembro de 1988 e permaneceu até 08 de
julho de 2019, data em que ela faleceu, relatou em entrevista ao escritor Elias
Gonçalves Pereira, parte de sua trajetória construída de forma destemida e
corajosa, sempre em busca dos ideais que acreditava serem corretos.
Maria do Socorro estudou em sua cidade natal apenas
o 1º Grau (hoje equivalente ao 9º ano do ensino fundamental). Visando buscar
novos horizontes, deixou seu local de origem e foi cursar o 2º Grau (antigo
Normal, curso de formação docente) no município de Patos (PB), local onde fez
também o nível superior em Geografia, área que aprendeu a amar desde o período
de estágio do Curso Normal e assim fazer um estilo de vida.
A chegada ao Estado de Rondônia ocorreu em dezembro
do ano de 1989 no município de Ji-Paraná. Em janeiro de 1990, prestou concurso
público para atuar como Professora de 1º e 2º Graus e neste mesmo ano Maria do
Socorro já estava fazendo parte do quadro de servidores estaduais como
professora, área que marcaria a sua trajetória profissional. Em junho de 1990, se muda para Jaru, local onde viveu até o seu último dia de vida e que ocupou
diversos cargos no sistema educacional. Em nível estadual teve uma atuação de
destaque nas escolas Olga Dellaia, Capitão Silvio de Farias, Raimundo
Cantanhêde (hoje CTPM XIII) e Nilton Araújo. No período compreendido entre janeiro de 2001 a
meados de novembro de 2005 atuou na escola municipal jaruense Aldemir Lima
Cantanhêde (que à época tinha no mandato como prefeito José Amauri dos Santos)
e de 13 de fevereiro de 2006 a dezembro de 2010 atuou como vice-diretora e
depois diretora na escola estadual Capitão Silvio, local que já havia
trabalhado, porém em sala de aula.
Após deixar o cargo de gestora na escola Capitão
Silvio, Maria do Socorro voltou a atuar de forma docente até adquirir o direito
de aguardar em casa a homologação da aposentadoria. Entretanto, enquanto o
processo estava tramitando, Socorro, como era conhecida, assumiu funções na
Secretaria Municipal de Trabalho e Ação Social – SEMTAS e na Secretaria
Municipal de Educação, durante os mandatos dos prefeitos Jean Carlos dos Santos
e Sônia Cordeiro de Souza, respectivamente. Mas, em âmbito municipal foi na
gestão do prefeito João Gonçalves Junior que Maria do Socorro teve uma passagem
marcante atuando de janeiro de 2017 até a data de seu falecimento, em 08 de
julho de 2019, devido a complicações no pós-operatório em uma cirurgia para a
retirada das veias safenas de ambas as pernas. A cirurgia foi considerada
necessária devido a problemas de má circulação, que lhe causavam inchaço,
varizes e dores ao caminhar. No mesmo dia de sua morte, a Prefeitura publicou o
Decreto nº 11778/GP/2019, onde oficializou luto de três dias em respeito ao falecimento.
Maria do Socorro teve dois filhos: Bárbara Lopes
Soares (nascida em 1º de abril de 1990 em Ji-Paraná) e Joaquim Francisco Lopes
Soares, natural de Ouro Preto do Oeste, onde nasceu no dia 03 de dezembro de
1993. Seus familiares a viam como um ser iluminado e que veio ao mundo para
servir aos seus e a quem mais necessitasse. Sempre alegre, elegante e festiva,
contagiava a todos com sua espontaneidade. Não queria ver ninguém triste e
adotou o jargão “vamos tirar o pé do chão, gente!”, numa demonstração de que o
trabalho não deveria parar.
Maciel Soares Sobrinho relata ainda que Maria do
Socorro era uma mulher de caráter e boa índole. Além disso, apresentava
qualidades dignas de uma mãe exemplar e que procurava aplicar esses mesmos
princípios em sua missão como educadora e gestora educacional. Segundo
acredita, a militância firme em mais de 25 anos em defesa da educação e por um
ensino de qualidade são os principais requisitos que a colocam em um patamar de
honra e lhe credencia para ser homenageada com a denominação de um
estabelecimento de ensino, algo que eterniza o seu nome na esfera terrena.
A Escola Maria do
Socorro
A
escola Maria do Socorro Lopes Soares foi criada inicialmente pela Lei Municipal
2539/GP/2019, de 09 de setembro de 2019, pouco mais de dois meses após o
falecimento da Secretária Executiva da SEMECEL em Jaru, professora Maria do
Socorro. Em um primeiro momento a denominação foi “Creche Professora Maria do
Socorro Lopes Soares” e tinha como foco o atendimento pedagógico a crianças de
0 a 3 anos de idade residentes no Setor 02, onde a escola está situada e
adjacências. Contudo, em 02 de dezembro de 2019, o prefeito João Gonçalves
Silva Júnior, revogou todo o texto publicado e sancionou a Lei nº 2560/GP/2019,
denominando o estabelecimento de ensino como “Escola Municipal de Educação
Infantil Maria do Socorro Lopes Soares” e ampliou o atendimento escolar para
até aos 05 anos de idade, contemplando assim todo o ensino infantil.
O
estabelecimento de ensino está localizado à Rua Goiás nº 3875, Bairro Setor 02,
esquina com Rua Sergipe. Inicialmente havia uma previsão de que o novo prédio
abrigasse a escola Pato Donald, que mudaria de lugar. Porém, devido ao
inesperado falecimento da professora Maria do Socorro, a Prefeitura de Jaru
decidiu homenagear a profissional pelos serviços educacionais prestados por ela
ao Estado de Rondônia e, principalmente, à Secretaria Municipal de Educação,
Cultura, Esporte e Lazer (Semecel), o último local de trabalho em vida.
A
inauguração da Escola Municipal de Ensino Infantil Maria do Socorro Lopes
Soares ocorreu na manhã do dia 10 de fevereiro de 2020, por ocasião do primeiro
dia letivo do ano vigente. Na ocasião diversas autoridades políticas participaram
do evento e ambas foram unânimes em ressaltar o legado deixado pela educadora
que denomina a instituição escolar. A [então] Secretaria Municipal de Educação,
Cultura, Esporte e Lazer (Semecel) prestou uma homenagem à professora Maria do
Socorro, profissional que há pouco mais de sete meses antes da inauguração ainda desempenhava as
suas funções pedagógicas na respectiva secretaria.
Clique no nome do estabelecimento de ensino e veja a história de cada um deles: