Criado como Núcleo Urbano de Apoio
Rural pelo Governo, o povoado de Santa Cruz inicialmente era o ponto final da
Linha 630. O local e nome do NUAR que deveria ser criado foram decididos
através de uma votação feita entre os moradores das Linhas 627, 628, 630, 632 e
634, regiões que seriam abrangidas pelo Núcleo que, como o próprio nome indica,
tinha como objetivo melhorar a vida dos colonos. Aproximadamente vinte pessoas de cada linha
votaram e a opção pelo nome Santa Cruz da Serra veio devido às elevações
geográficas da localidade. | Marcas do Passado: o antigo posto de telefone traz um importante registro da história local |
A
ausência de fontes escritas sobre a história de Santa Cruz da Serra e Bom Jesus
faz com que a tradição oral se prevaleça em contraponto a algo científico. Parte
dos pioneiros já morreram, existem os que fixaram residência em outros locais,
mas também há aqueles que ainda moram nos dois lugares e apresentam as suas
narrativas com o entusiasmo de quem protagonizou a própria história. A expressão
oral é uma importante fonte para a produção histórica desde que seja oriunda de
quem foi testemunha ocular de um fato ou que tenha vivenciado o período
retratado. Não se trata de uma forjada meritocracia, onde sujeitos são classificados
como meros protagonistas ou coadjuvantes, mas de reconhecer que cada um, à sua
maneira, independente do momento vivido, contribuiu – e muito – para que cada
fato ocorresse da maneira que realmente foi.
A defesa desse argumento está em sintonia com a tese defendida por (NEVES, 1997, apud BARBOSA, 2006, p. 65), onde se diz que “[...] a construção do conhecimento a partir da vivência, portanto, do local e do presente, é a melhor forma de se superar a falsa dicotomia entre a produção e a transmissão, entre a pesquisa e o ensino/divulgação, enfim, entre o saber e o fazer”. Sendo assim, quem conhece um fato ou dele participou de forma direta é uma fonte a ser considerada na produção de quaisquer temáticas cuja abordagem esteja na respectiva direção.
Maria Amabile Barrionuevo chegou à região posteriormente conhecida como Santa Cruz da Serra no ano de 1977 e morou no local até 1980. Em seguida, retornou ao NUAR em 1983 e recorda com carinho a história do lugar. Conforme relata, a construção do NUAR Santa Cruz da Serra só foi possível devido à doação de uma área pelos moradores Valdeir Pinheiro, Sebastião Pinheiro, Geniplo Pinheiro (1927-1980) e Darci Pinheiro. Cada proprietário doou dez hectares de terra para a implantação do NUAR, com objetivo de contribuir com a evolução da localidade. Maria Amabile diz com exatidão alguns investimentos feitos à época. O Governo construiu o posto de saúde, uma unidade da Companhia Brasileira de Armazenamento, a CIBRAZEM, um Centro Técnico Administrativo (CTA) e também a escola Josué Montello. No Centro Técnico funcionava a administração do Núcleo, as Secretarias de Ação Social, Agricultura e Planejamento. As secretarias de Planejamento e Agricultura eram representadas, respectivamente, por José Roberto Maroto e José Alfredo Volpi.
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| José Amabile (Foto: Acervo do Autor) |
Inicialmente
diversos moradores abriram comércios diversificados, entre eles, máquinas de
arroz (hoje conhecidas como cerealistas) e as empresas conseguiram funcionar
por certo tempo. Porém, o negócio não seguiu adiante tendo em vista que a
grande maioria dos sitiantes optou pela pecuária. Por esta razão, quem
trabalhava com o beneficiamento de um dos principais itens da mesa do
brasileiro, passou a ter dificuldade em conseguir matéria-prima suficiente para
manter a atividade em funcionamento. “Posto de gasolina que poderia ser uma
opção de renda devido a existência de muitos caminhões de tora, os conhecidos toureiros, também não deu certo, por não
conseguir a licença necessária”, relembra Maria Amabile.
A
dificuldade de crescimento do povoado era visível. O pequeno mercado que abriu
tinha muitos clientes na região que posteriormente passou a ser conhecida como
Tarilândia e a solução encontrada foi deixar Santa Cruz e se aproximar de seus
consumidores. Todavia, alguns comerciantes que atuavam no ramo de bebidas
preferiram continuar com seus bares no local. A proximidade, a fácil locomoção
e os preços mais baixos encontrados em Jaru também contribuíram com o não
desenvolvimento do lugar que foi planejado para ser a parte urbana de Santa
Cruz da Serra.
Diversos
nomes passaram pelo cargo de administrador de Santa Cruz da Serra, o que torna
impossível nominar cada um deles. Porém, apenas três foram escolhidos através
de um formato democrático. José Amabile, o primeiro deles, Miguel Ribeiro de
Moraes e José Vieira, que foi definido por eleitores presentes em sessões de
votação. Entre vários outros nomes é
possível citar os seguintes: José Luiz da Rosa, José Alves de Oliveira,
conhecido em Jaru como Cafurica, João Siqueira do Nascimento, Sebastião
Francisco da Silva (Tião Goiano), Maria da Conceição, Antônio Francisco Braga e
Genadir Fidelis da Silva.
As dificuldades existentes em Santa Cruz da Serra foram diminuindo aos poucos. Uma das conquistas foi o fornecimento de energia elétrica 24 horas por dia, graças à implantação do chamado Linhão em Jaru, que beneficiou todas as localidades que passaram a fazer parte do sistema elétrico da subestação que há no município. Outro benefício foi o asfaltamento de 100% da Linha 630 (RO-464) até a chegada ao distrito, sendo ela, a principal via de acesso à BR 364. Mesmo possuindo potencial, Santa Cruz da Serra ainda não desenvolveu o quanto tem condição, principalmente pelo fato de estar muito próximo à sede do município e também de Tarilândia que, acabou crescendo de forma gigantesca.
A zona urbana
Hidrografia
Durante o seu trajeto até a foz no Rio Jaru, que ocorre após passar pela Linha 627, o São Domingos recebe águas de diversos rios menores. Na região pertencente ao município de Jaru, o principal deles é o Rio Branco, que também nasce no Assentamento Margarida Alves em Nova União e desemboca no São Domingos a aproximadamente um quilômetro da RO-464 (antiga Linha 630), contribuindo assim com a elevação de seu volume aquífero.
Religiosidade
Diante
do exposto, entende-se que:
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| Comunidade Santos Anjos |
O papel da religião é central na
construção da visão coletiva e individual das realidades, assim como nos
processos de identificação e distinção dos indivíduos e grupos ao longo da
história e em espaços diferentes. (COSTELLA, 2004, apud GIRARDI, 2016, p. 5).
Durante o trajeto entre a BR 364 e a
parte urbana do distrito de Santa Cruz da Serra pela Linha 630 (RO-464) se
encontram quatro denominações religiosas. A primeira delas é a comunidade
católica São João Paulo I. Em seguida aparece um templo da Congregação Cristã
no Brasil, um da Igreja de Cristo Pentecostal Internacional e outro da
Presbiteriana Betel, sendo este último mais próximo ao Rio São Domingos.
Entretanto, como o espaço territorial de Santa Cruz é do Rio São Domingos ao Canarana
(limite com o distrito de Tarilândia), tais igrejas não são contabilizadas como
pertencentes a Santa Cruz da Serra, mas sim ao município de Jaru.
O sistema de ensino
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| Mapa da zona urbana (Fonte: Divisão de Endemias da Prefeitura de Jaru) |
A
escola atende também aos alunos do ensino infantil (Prés I e II), através de
uma parceria com a secretaria municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer,
a SEMECEL, do município de Jaru.
Destaques esportivos
Ricardo
Rabelo Pinheiro, o Pinheirinho e
Valdecir Cardoso de Moraes, conhecido como Indinho
estão entre os pioneiros e as informações por eles fornecidas serviram de base
para a produção escrita da história do esporte ainda na época do Núcleo Urbano
de Apoio Rural, o chamado NUAR. Além de atleta, Indinho ocupou o cargo de treinador na região, onde chegou na
década de 1970 e fez do local a sua residência.
A participação nas competições garantia
aos times a possibilidade de receber prêmios e, com isso, havia um grande
incentivo ao esporte. Além das equipes titulares, existiam as chamadas aspirantes. Em época de torneios, os
jogadores que faziam parte dos aspirantes
geralmente disputavam partidas antes das 12 horas e os titulares, após esse
horário. Times como Caju, Vila Nova, Ajax, Bomba D’Água, Barrionuevo,
Estrelinha, São Domingos e Ouro Negro, além de outros, estão entre os que
construíram uma trajetória marcante em Santa Cruz da Serra.
Santa
Cruz da Serra conta com agremiações esportivas que disputam tanto a Série A
quanto a Série B do Campeonato Municipal de Jaru. Mas os jogadores não vivem
especificamente do esporte. Todos eles possuem os seus afazeres durante a
semana e, nos momentos que antecedem cada jogo, se preparam fisicamente com os
seus treinadores, fazendo da prática esportiva algo muito importante no
contexto local.
Tópicos abordados no capítulo que destaca o distrito de Santa Cruz da Serra:
- O início do povoado
- A zona urbana
- Hidrografia
- Religiosidade
- O sistema de ensino
- Destaques esportivos
Ao utilizar as informações, favor citar a fonte:
FONTE:
PEREIRA, Elias Gonçalves. A Biografia dos Distritos de Jaru. Priint Impressões Inteligentes: Cacoal, 2022, pp. 41-60.
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