quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vivendo Nossa História: Escola D'Jaru-Uaru


       Em um espaço territorial do Estado de Rondônia, situado à Linha 627, a 85 quilômetros da cidade de Jaru está um povoado que faz parte do assentamento do Projeto Jaru-Uaru. Em 23 de maio de 1994 foi o dia da decisão para formar esta vila do povoado Jaru-Uarense. A seguir também recebeu o nome de Cabajá porque essa expressão para aqueles que não têm otimismo em acreditar que algo que está acontecendo no momento possa permanecer e ir avante com o progresso. Apesar de não ter um crescimento tão rápido quanto o seu potencial, o nome de Cabajá não combinou com a localidade, pois ainda não acabou e tem vista para muito progresso.

O nome Jaru-Uaru foi dado em homenagem aos índios Uru-We-Wau-Wau que viviam na região. Ainda existem duas tribos deles, mas eles não moram na parte urbana do povoado. Têm suas terras protegidas pela FUNAI e quase não vão à cidadezinha. Na escola de Jaru-Uaru tem umas quatro crianças índias que estudam como se fossem brancos e cidadãos comuns. Não usam trajes típicos e são tratadas como crianças indígenas por suas características físicas e por causa de seus nomes que são dados de acordo com a cultura da tribo. Enfim, são crianças iguais às outras. Já com os adultos são diferentes, porque quando são casados, o símbolo do casamento é uma pintura azul em seus rostos e também tem mais dificuldades para se expressar na Língua Portuguesa, apoiando-se nos pequenos índios como intérpretes.

A fundação de Jaru-Uaru foi de grande importância para os primeiros homens que vieram para o local e começaram a abertura das terras formando lotes e chácaras com plantações. Ainda não existia a vila, mas mesmo assim havia transporte coletivo que conduzia as pessoas nas idas e vindas à Jaru e Tarilândia. 

Os sitiantes, quando chegavam ao quilômetro 85 tinham que deixar o ônibus e prosseguir a viagem a pé e ainda com as compras pesadas nas costas. Então os senhores Paulo Fernandes e Carlos Morgante, juntos com demais companheiros, que tinham influencias de administração, sensibilizaram-se com a problemática. Chamaram o povo e, numa reunião com opiniões e sugestões das pessoas presentes, compraram treze alqueires de terra, que na época era o lote da senhora Edinalva dos Santos. Para a compra, ficou decidido que quem doasse duas sacas de feijão, teria o direito de ter uma data no projeto. Cinco alqueires e meio dessas terras, foram cortados em chácara e os outros sete e meio foram cortados em datas (pequenos terrenos). Assim foram aparecendo as primeiras casas e alguns comércios em Jaru-Uaru. Surgiram igrejas católicas, evangélicas, campo de futebol e no ano de 2002, a Escola Municipal D’Jaru-Uaru começou a funcionar.

Os primeiros comerciantes foram o Senhor Valmir, Seu Anísio, Seu Edivaldo. Logo em seguida, veio para Jaru-Uaru, no dia 19 de junho, um comerciante bem mais forte em comparação aos primeiros. Era o senhor Josué Crisóstemos. Ele abriu um comércio de secos e molhados e o nome de seu mercado era “Comercial Paraguai II”, porque ele já tinha a matriz em Tarilândia. Foi através dele que o povo de Jaru-Uaru teve mais facilidades para fazer suas compras, pois ele abastecia o povoado com muitos produtos, tais como gêneros alimentícios, combustíveis e muitos outros.

Seguindo o percurso da história, veio trabalhar para o seu Josué, o Senhor Antônio Mariano Filho com a família. Após um ano e meio Josué desistiu de Jaru-Uaru e vendeu seu comércio para Antônio, popular Toninho. Acreditando no povo e no crescimento de Jaru-Uaru, renovou e ampliou o prédio. Com o apoio de autoridades administrativas colocou um telefone fixo para servir o povo. Em seguida Toninho fez a parceria com alguns comércios de Jaru, por exemplo: Casa da Lavoura, Boa Safra, Acro-Vet, Representante da Tortuga e alguns comerciantes de Tarilândia que o ajudaram a manter seu empreendimento por muito tempo. Vendedores viajantes começaram a vir e vender diretamente para ele. “Toninho” mudou o nome do mercado para “Comercial Treze de Maio”. Assim Jaru-Uaru foi melhorando e vieram outros comerciantes. Hoje o pequeno povoado tem lanchonetes, sorveterias, padarias, alguns botecos e, é claro, muitas casas e igrejas.

No ano de 2002 foi liberada a obra para a construção da Escola Pólo, através de emendas do senador Valdir Raup, e deputados federais: Confúcio Moura, Expedito Júnior com a participação do prefeito da época, José Amauri dos Santos (PMDB). Em apenas oito meses a escola estava pronta com seis salas de aula, alojamentos, salas administrativas, cozinha espaçosa, banheiros, duas salas para biblioteca e laboratório que foram entregues para a população em maio de 2003.

Inicialmente, a primeira diretora foi a professora Orni e a Vice Diretora, a professora Roseli. Juntas, desenvolveram o serviço administrativo escolar com o apoio do professor e coordenador “Carlão”. Contando com a ajuda dos professores, funcionários e voluntários que queriam o desenvolvimento de Jaru-Uaru. Nessa época, os professores tinham apenas o magistério. Atualmente, além de concursados, quase todos são graduados e com alguma especialização em sua área de atuação. Com a evolução, os funcionários precisaram estudar e ampliar seus conhecimentos com a faculdade.

Em 2004 foram construídas mais seis salas de aula, embora feitas de madeira, servem para os alunos das séries finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), pois são mais de quinhentos alunos que estudam nesta escola. Todos ainda esperam a construção do muro e da quadra de esporte. A Escola de Jaru-Uaru conta também com turmas de Ensino Médio, através de uma parceria com o Governo do Estado, possibilitando assim aos alunos a conclusão da Educação Básica no próprio local onde residem.

Atualmente Jaru-Uaru conta com telefone fixo em boa parte das residências. O acesso à internet é feito via rádio e a velocidade oferecida ainda está aquém da área central de Jaru. O serviço de telefonia móvel (celular) é oferecido na modalidade de telefone rural onde o aparelho fica acoplado em um fio, que por sua vez, está ligado a uma antena que se comunica com uma outra mais centralizada.

3 comentários:

sara morgante disse...

muito obrigado foi muito gratificante encontar este blog falando .do nosso pedaço de mundo.e contando a pequena para muitos, mas grade para nos que vives o dia dia desta historia e apesar de muitos estar longe acredito que como eu nunca vai esquecer as suas raizes que estao ai neste projeto chamado jaru-uaru ou melhor como no comço cabaja.

Elias Gonçalves disse...

Obrigado pelo seu comentário e confira outras postagens do blog.

Eleilson Alvernaz disse...

Sou de Jaru Uaru, Obrigado por contar sobre nossa história!

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