quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vivendo Nossa História: Aldemir Cantanhêde


 O seringueiro Aldemir Lima Cantanhêde nasceu no dia 21 de dezembro de 1924 no Seringal Setenta. Filho de Ricardo Cantanhêde e Amândola Lima Cantanhêde, Aldemir cursou o primário no Colégio Dom Bosco, em Manaus-AM e o científico no Colégio Nazaré em Belém-PA. Parte da trajetória do pioneiro Aldemir é idêntica a de seu único irmão, o também seringueiro, Raimundo Cantanhêde com quem trabalhou durante muito tempo nos seringais que existiam entre os – atualmente – municípios de Jaru e Ariquemes e administravam inclusive, uma empresa que trabalhava com a matéria-prima da seringa.
Aldemir Cantanhêde e outros amigos sobre a ponte do Rio Jaru

A firma que a família Cantanhêde possuía denominada “A. Cantanhêde” foi de grande importância para o desenvolvimento dos seringais na região. Em nome da empresa chegou a existir 354 mil hectares de terra de seringa, que compreendia na época a cidade de Jaru (que se denominava Santos Dumont), Seringal Cajazeiras, Seringal Setenta, Seringal Rio Pardo e Seringal Monte Belo, esse último hoje a cidade de Ariquemes. O complexo seringalista chegou a produzir 400 toneladas de látex por ano. A empresa que Aldemir ajudou a administrar possuiu 382 Títulos, que representava 1.382 contratados para exploração do látex, não considerando todos os membros de cada família ali existente, também não sendo considerado os peões contratados ou agregados a cada família. No seringal era utilizado como meio de transporte o lombo de burros, chegando a adquirir 1.500 burros para penetração nas matas da região.

Aldemir era um seringalista respeitado. Por sua maneira de conduzir seus negócios, fez sua história de maneira que deixou seu nome e de seu irmão (Raimundo), como também de seu pai (Ricardo), na cidade de Jaru e Ariquemes. De acordo com uma das filhas de Aldemir, Sirlei Maria Lima Cantanhêde, ele era um homem desbravador, guerreiro, incansável e não via nenhuma dificuldade em levar adiante os negócios mesmo após a morte de seu querido irmão. Fazia de tudo para deixar seus peões satisfeitos e à vontade para se manifestarem. Mesmo sendo patrão, às vezes parecia pai, por se tornar amigo. Tudo à sua maneira e com muito respeito. Sirlei relata que Aldemir realizava grandes festejos no dia 21 de setembro. As comemorações eram consideradas como um grande motivo para reunir toda família que ali residia e de cidades vizinhas.

Os filhos de Aldemir Lima Cantanhêde o consideram como uma das pessoas mais incríveis no que se refere à honestidade, caráter e humildade. Sirlei Maria diz que bastava um olhar para entender os ensinamentos que ele queria transmitir. “Ele partiu, mas deixou um legado muito importante para as futuras gerações, pois acreditava que sempre era possível lutar para vencer na vida e realizar sonhos”, declara em tom saudosista a família.
Raimundo Cantanhêde e Aldemir


Outros familiares de Aldemir também narraram ao autor fatos importantes a respeito dele. Maria Graciana Ribeiro Cantanhêde (sobrinha) e Nair Ribeiro Cantanhêde (cunhada) destacam algumas qualidades que Aldemir possuía. Segundo elas, Aldemir Lima Cantanhêde era uma pessoa extrovertida e brincava com todos à sua volta. Aldemir gostava muito de crianças e em época de fim de ano, os filhos de seus empregados nos seringais sempre ganhavam presentes que ele fazia questão de entregar. Além disso, “ele (Aldemir) gostava muito de se divertir, montar em animais e festejar”, relata a cunhada, dona Nair Cantanhêde.

Aldemir Lima Cantanhêde não se casou, mas teve treze filhos. Três deles são falecidos, duas filhas moram no Estado do Rio de Janeiro e os demais estão vivos residindo em Porto Velho. Com a morte de seu pai em 1948, ele interrompeu os estudos para conduzir os negócios da família que se traduzia na exploração extrativa vegetal, produção oriunda do látex da seringa. Tal atividade se desenvolvia nos seringais de Ariquemes, Cajazeiras, Quatro Cachoeiras, Setenta, Lapiconga e Jaru. Com fim dos seringais nativos pela falta de apoio creditício e pela política de ocupação de Rondônia iniciada nos anos 70, desfez-se da maioria dos seringais para se tornar Cacuicultor nas terras do “Seringal Setenta”, onde mais tarde seria sepultado após falecer em Mineiros (GO), em 17 de dezembro de 1986, vítima de insuficiência renal. Segundo familiares, atualmente o corpo de Aldemir se encontra enterrado junto com o irmão em Porto Velho, Capital de Rondônia.

Aldemir era um seringalista respeitado, por sua maneira de conduzir seus negócios, fez sua história de maneira que deixou seu nome e de seu irmão, como também de seu pai, na cidade de Jaru e Ariquemes. Familiares se sentem honrados e, segundo eles, significa um reconhecimento a uma das pessoas que mais impulsionou o progresso do município de Jaru.

Jaru tem quatro locais públicos com nomes que remetem à família Cantanhêde. Duas ruas (Ricardo Cantanhêde e Raimundo Cantanhêde) e duas escolas públicas: Raimundo Cantanhêde (estadual) e Aldemir Lima Cantanhêde (municipal).

        A Escola Aldemir Cantanhêde

A Escola Aldemir Lima Cantanhêde recebeu inicialmente o nome de Escola Municipal de 1° grau “Palmira José de Souza” em homenagem a então primeira-dama do estado, através do decreto lei n° 516GP/89 de 17 de fevereiro de 1989. Teve o seu nome alterado no dia 30 de janeiro de 1992. Essa tramitação baseou-se no Decreto de Lei de n° 187/G1/92. A autorização de funcionamento da instituição foi concedida através da Resolução 099/CEE/RO/92, do Conselho Estadual de Educação. 

A Escola possui um ambiente acolhedor, onde os alunos contam com um espaço para expressarem-se sem receio de serem discriminados, procurando sempre elevar a auto-estima dos mesmos. O estabelecimento de ensino funciona em três turnos: matutino, vespertino e noturno, oferecendo o Ensino Fundamental de 09 anos do 1º ao 9º ano regular e a modalidade de Educação de Jovens e Adultos.

A instituição possui cinco salas de aulas em boas condições de funcionamento, com iluminação e ventilação adequadas. As instalações sanitárias estão de acordo com as normas exigidas pela vigilância sanitária do município. 

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